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Japão pondera plataforma única de mangá por subscrição, mas editoras recusam abdicar dos seus próprios serviços

 

Rin-Kurusu-screenshot-Believer-draw-mang

 

 

O Japão está a discutir um modelo que poderia mudar por completo a forma como o mangá chega ao resto do mundo, uma plataforma nacional única de leitura, por subscrição, que reunisse num só lugar os catálogos das principais editoras do país. A ideia parte da Agência para os Assuntos Culturais do Japão, mas esbarra numa resistência forte por parte de quem detém os direitos das obras, as próprias editoras.

A proposta da agência é, na prática, comparável ao que a Netflix fez com o audiovisual, em vez de o leitor ter de aceder a dezenas de aplicações diferentes, cada uma pertencente a uma editora, existiria um único serviço com subscrição mensal e acesso a um catálogo alargado de mangás de várias casas editoriais.

Para a agência, esta centralização não serve apenas para simplificar a vida a quem lê mangá dentro do Japão. O principal argumento apresentado é externo, um serviço unificado tornaria muito mais simples promover o mangá junto de públicos internacionais, já que bastaria uma única porta de entrada para o catálogo japonês, em vez de leitores estrangeiros terem de navegar entre múltiplas plataformas concorrentes para encontrar as suas séries preferidas.

 

As editoras dizem que não

 

A resposta das editoras japonesas, no entanto, tem sido de resistência. A proposta da agência foi recebida com relutância por parte de editoras que preferem manter o controlo total sobre os seus próprios serviços digitais, em vez de partilhar espaço, e dados de leitores, numa plataforma comum gerida externamente.

Esta postura não surge isolada. É a mesma lógica que já se observa fora do Japão, mais de uma dezena de plataformas de mangá em inglês, operadas diretamente por editoras como a Kodansha, a Shueisha, a Square Enix ou a Kadokawa, têm vindo a abrir na América do Norte nos últimos anos, cada uma com o seu próprio sistema, preço e catálogo. Manter serviços próprios permite às editoras trabalhar em contacto direto com as equipas que produzem as obras originais, coordenar lançamentos globais ao pormenor e reter o controlo sobre a experiência do leitor, vantagens que pesam mais do que a comodidade de um sistema único.

Entre os serviços já disponíveis em inglês contam-se nomes como a Renta!, da Papyless, que abriu em 2011 e é uma das pioneiras do setor, e a BookWalker Global, da Kadokawa, ativa desde 2014 e recentemente relançada este ano. A grande maioria, no entanto, é bem mais recente:

 

Manga Plus, da Shueisha, desde 2019

Mangamo, desde 2020

Manga Bang!, da Amazia, lançada em 2021 e relançada em 2023

Alpha Manga, da AlphaPolis, desde 2021

MangaPlaza, da NTT Solmare, desde 2022

Manga Up!, da Square Enix, desde 2022

K Manga, da Kodansha, desde 2023

Yomoyo, da Beaglee, desde 2023

Emaqi, da Orange, lançada em 2024 e relançada em 2025 e 2026

Manga Mirai, da NTT Docomo, desde 2025

Novelous, da Shogakukan, desde 2025

Comici Manga, da Comici, já em 2026

 

Ao contrário de plataformas norte-americanas que também distribuem mangá, como a GlobalComix ou a Neon Ichiban, a maioria destes serviços pertence diretamente às próprias editoras japonesas. Isso permite às equipas destas plataformas trabalhar lado a lado com as redações que produzem as principais séries no Japão, coordenando lançamentos globais praticamente em simultâneo com a edição original.

 

O cenário atual no próprio Japão ajuda a perceber a escala do problema que a agência quer resolver. De acordo com um levantamento de 2025 da empresa de análise de aplicações móveis App Ape, existem mais de 450 aplicações de leitura de mangá e livros eletrónicos.

 

Esta fragmentação tem raízes antigas. O ecossistema digital do mangá desenvolveu-se no Japão isolado do mercado global de livros eletrónicos, e cada editora foi construindo o seu próprio sistema fechado, um padrão que é por vezes descrito como síndrome de Galápagos, tecnologia que evolui isolada do resto do mundo e acaba por não se adaptar facilmente a ele.

 

Por agora, o processo está longe de resolvido. A Agência para os Assuntos Culturais espera apenas chegar a uma conclusão sobre este modelo até 2029, o que deixa em aberto, durante vários anos, a possibilidade de as editoras japonesas continuarem a apostar em serviços próprios, tanto dentro como fora do país.

 

Este impasse ganha ainda mais relevância quando cruzado com os planos declarados do governo japonês, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) quer triplicar o valor das exportações de conteúdos de entretenimento do país até 20 biliões de ienes (cerca de 125 mil milhões de dólares) até 2033, com o mangá a desempenhar um papel central nessa estratégia. Uma plataforma única poderia, em teoria, facilitar esse objetivo, mas só se as editoras estiverem dispostas a abdicar de parte da autonomia que hoje protegem.

Filipenses 2.5-11

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https://www.webcheats.com.br/topic/2308072-jap%C3%A3o-quer-criar-uma-netflix-do-mang%C3%A1/
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