Ir para conteúdo
  • 2 Quem está por aqui   0 membros estão online

    • Nenhum usuário registrado visualizando esta página.

Japão quer criar uma Netflix do mangá


Gabriel
 Compartilhar

Posts Recomendados

Japão pondera plataforma única de mangá por subscrição, mas editoras recusam abdicar dos seus próprios serviços

 

Rin-Kurusu-screenshot-Believer-draw-mang

 

 

Japão está a discutir um modelo que poderia mudar por completo a forma como o mangá chega ao resto do mundo, uma plataforma nacional única de leitura, por subscrição, que reunisse num só lugar os catálogos das principais editoras do país. A ideia parte da Agência para os Assuntos Culturais do Japão, mas esbarra numa resistência forte por parte de quem detém os direitos das obras, as próprias editoras.

A proposta da agência é, na prática, comparável ao que a Netflix fez com o audiovisual, em vez de o leitor ter de aceder a dezenas de aplicações diferentes, cada uma pertencente a uma editora, existiria um único serviço com subscrição mensal e acesso a um catálogo alargado de mangás de várias casas editoriais.

Para a agência, esta centralização não serve apenas para simplificar a vida a quem lê mangá dentro do Japão. O principal argumento apresentado é externo, um serviço unificado tornaria muito mais simples promover o mangá junto de públicos internacionais, já que bastaria uma única porta de entrada para o catálogo japonês, em vez de leitores estrangeiros terem de navegar entre múltiplas plataformas concorrentes para encontrar as suas séries preferidas.

 

As editoras dizem que não

 

A resposta das editoras japonesas, no entanto, tem sido de resistência. A proposta da agência foi recebida com relutância por parte de editoras que preferem manter o controlo total sobre os seus próprios serviços digitais, em vez de partilhar espaço, e dados de leitores, numa plataforma comum gerida externamente.

Esta postura não surge isolada. É a mesma lógica que já se observa fora do Japão, mais de uma dezena de plataformas de mangá em inglês, operadas diretamente por editoras como a Kodansha, a Shueisha, a Square Enix ou a Kadokawa, têm vindo a abrir na América do Norte nos últimos anos, cada uma com o seu próprio sistema, preço e catálogo. Manter serviços próprios permite às editoras trabalhar em contacto direto com as equipas que produzem as obras originais, coordenar lançamentos globais ao pormenor e reter o controlo sobre a experiência do leitor, vantagens que pesam mais do que a comodidade de um sistema único.

Entre os serviços já disponíveis em inglês contam-se nomes como a Renta!, da Papyless, que abriu em 2011 e é uma das pioneiras do setor, e a BookWalker Global, da Kadokawa, ativa desde 2014 e recentemente relançada este ano. A grande maioria, no entanto, é bem mais recente:

 

Manga Plus, da Shueisha, desde 2019

Mangamo, desde 2020

Manga Bang!, da Amazia, lançada em 2021 e relançada em 2023

Alpha Manga, da AlphaPolis, desde 2021

MangaPlaza, da NTT Solmare, desde 2022

Manga Up!, da Square Enix, desde 2022

K Manga, da Kodansha, desde 2023

Yomoyo, da Beaglee, desde 2023

Emaqi, da Orange, lançada em 2024 e relançada em 2025 e 2026

Manga Mirai, da NTT Docomo, desde 2025

Novelous, da Shogakukan, desde 2025

Comici Manga, da Comici, já em 2026

 

Ao contrário de plataformas norte-americanas que também distribuem mangá, como a GlobalComix ou a Neon Ichiban, a maioria destes serviços pertence diretamente às próprias editoras japonesas. Isso permite às equipas destas plataformas trabalhar lado a lado com as redações que produzem as principais séries no Japão, coordenando lançamentos globais praticamente em simultâneo com a edição original.

 

O cenário atual no próprio Japão ajuda a perceber a escala do problema que a agência quer resolver. De acordo com um levantamento de 2025 da empresa de análise de aplicações móveis App Ape, existem mais de 450 aplicações de leitura de mangá e livros eletrónicos.

 

Esta fragmentação tem raízes antigas. O ecossistema digital do mangá desenvolveu-se no Japão isolado do mercado global de livros eletrónicos, e cada editora foi construindo o seu próprio sistema fechado, um padrão que é por vezes descrito como síndrome de Galápagos, tecnologia que evolui isolada do resto do mundo e acaba por não se adaptar facilmente a ele.

 

Por agora, o processo está longe de resolvido. A Agência para os Assuntos Culturais espera apenas chegar a uma conclusão sobre este modelo até 2029, o que deixa em aberto, durante vários anos, a possibilidade de as editoras japonesas continuarem a apostar em serviços próprios, tanto dentro como fora do país.

 

Este impasse ganha ainda mais relevância quando cruzado com os planos declarados do governo japonês, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) quer triplicar o valor das exportações de conteúdos de entretenimento do país até 20 biliões de ienes (cerca de 125 mil milhões de dólares) até 2033, com o mangá a desempenhar um papel central nessa estratégia. Uma plataforma única poderia, em teoria, facilitar esse objetivo, mas só se as editoras estiverem dispostas a abdicar de parte da autonomia que hoje protegem.

Filipenses 2.5-11

 

http://bit.ly/43ioNWb

Link para o comentário
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora
 Compartilhar

×
×
  • Criar Novo...

Informação Importante

Nós fazemos uso de cookies no seu dispositivo para ajudar a tornar este site melhor. Você pode ajustar suas configurações de cookies , caso contrário, vamos supor que você está bem para continuar.