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  1. Eu entrevistei Marci Bowers, presidente da Associação Mundial de Saúde Transgênero, no ano passado, para um artigo que nunca terminei de escrever sobre a transição de gênero na juventude. Bowers é uma mulher trans, cirurgiã e ginecologista que já entregou milhares de bebês e realizou milhares de vaginoplastias; uma de suas pacientes foi a estrela da realidade trans Jazz Jennings. Quando conversamos, Bowers fez um argumento que eu penso com frequência: que tabus progressistas em torno da discussão de algumas das questões mais delicadas envolvidas no tratamento de jovens com disforia de gênero, incluindo a realidade da desistência, são autodestrutivos. "Não parecemos unificados", ela disse. "Parecemos estar escondendo algo." Acabei abandonando a história que estava trabalhando porque outros escritores me superaram, o que me deixou, honestamente, um pouco aliviado. Não é que eu estivesse preocupado em ser cancelado; ser xingado por pessoas na internet não é divertido, mas vem com o trabalho. Em vez disso, eu estava preocupado em examinar o aumento de crianças se identificando como trans parecia estar perguntando a pergunta errada em um momento em que as pessoas trans estão sob cerco. Ainda assim, algumas perguntas estão incomodando. Há crianças para quem a transição é uma necessidade urgente e as leis proibindo seu tratamento médico são perigosas e imorais. Mas eu também acho que não entendemos o que está por trás do enorme aumento de adolescentes - muitos com transtornos mentais - se identificando como trans. "Há pessoas na minha comunidade que negarão qualquer tipo de 'contágio social' - não deveria dizer contágio social, mas pelo menos influência dos pares em algumas dessas decisões", disse Bowers sobre o crescente número de crianças trans. "Eu acho que isso simplesmente não reconhece o comportamento humano." Porque eu suspeito que, para algumas crianças, a disforia de gênero pode ser parte de uma crise de saúde mental mais ampla, eu posso simpatizar com alguns dos pais no artigo recente do New York Times de Katie J.M. Baker, "Quando os alunos mudam a identidade de gênero e os pais não são avisados". Baker entrevistou Jessica Bradshaw, mãe de um adolescente transgênero que está no espectro do autismo e sofre de TDAH, PTSD e ansiedade. "Ele tinha lutado com a solidão durante a pandemia e, para seus pais, parecia ainda não saber exatamente quem era, pois havia mudado seu nome e orientação sexual repetidamente", escreveu Baker. Bradshaw descobriu que seu filho se identificava como trans apenas quando viu um nome desconhecido escrito no topo de uma tarefa de casa. Seu filho, ela aprendeu, havia transicionado socialmente na escola seis meses antes e havia pedido que seus pais não fossem informados. Ela ficou chateada por ser mantida no escuro: "Deve ter sido uma decisão que fizemos como família", disse ela a Baker. Seu desconforto é compreensível; eu ficaria perplexo e, francamente, magoado se um de meus filhos tomasse uma decisão tão grande sem meu conhecimento. No entanto, quanto mais eu penso sobre isso, mais convencido estou de que a escola fez a coisa certa. Adolescentes merecem uma medida de privacidade e autonomia para trabalhar suas identidades, de gênero ou não, mesmo que algumas de suas escolhas e decisões pareçam ideias ruins para os adultos em suas vidas. Agora, através de processos judiciais e leis estaduais, os defensores dos direitos dos pais estão tentando garantir que as escolas informem as famílias sobre mudanças nas identidades de gênero de seus filhos. As vítimas mais imediatas dessas políticas são as crianças trans que não têm famílias de apoio e que correm o risco de perder um lugar onde possam ser eles mesmos fora de suas casas. Mas todos os adolescentes devem ter espaço, independentemente de seus pais, para experimentar a identidade de forma reversível e não médica.
  2. Por que o sexo não é mais a prioridade de homens e mulheres de diferentes gerações? Mirian Goldenberg Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice" Como ainda não tenho palavras para descrever minha emoção, alegria e alívio com a auspiciosa vitória da democracia no domingo, vou escrever a respeito de um tema que tem tido muito destaque na mídia brasileira nos últimos meses. Por que os jovens estão desistindo do sexo? A Folha publicou matéria da BBC News Brasil, no dia 29 de outubro: "Por que tantos millennials relatam viver casamento sem sexo", destacando que alguns millennials (nascidos entre 1981 e 1995), apesar de estarem no seu ápice sexual, estão se "afastando do sexo". De acordo com especialistas, maiores preocupações financeiras, somadas às taxas mais altas de depressão e ansiedade, produzem alto estresse e baixo desejo sexual. Gisele Bündchen reclamou da abstinência sexual do marido Tom Brady; no fim, anunciaram o divórcio - Angela Weiss - 28.out.22/AFP Pesquisas recentes nos Estados Unidos mostraram que grande parte dos casais tem uma única relação por mês e que cerca de 20% não fazem mais sexo. Como é provável que muitos tenham vergonha de confessar, o número pode ser ainda maior. Falta de sexo levou Gisele Bündchen a terminar com Tom Brady? No mês de outubro, fomos bombardeados por notícias sobre os supostos motivos do divórcio de Gisele Bündchen, de 42 anos, e Tom Brady, de 45. Casados desde 2009, com um patrimônio de R$ 3 bilhões, eles assinaram o divórcio no dia 28 de outubro. As seguintes manchetes me chamaram a atenção: "Abstinência? Falta de relação sexual contribuiu para crise no casamento de Gisele Bündchen". "Tom Brady estabelece a política de não fazer sexo 24 horas antes dos jogos. Esse tempo ainda pode ser prolongado em até 72 horas em dias de decisões importantes. Segundo o jornal espanhol Marca, essa postura do atleta teria influenciado a crise e esfriado o casamento". Eu não sou uma pessoa que precisa de sexo A atriz norte-americana Drew Barrymore, de 47 anos, revelou que não faz sexo há seis anos, desde o fim do seu casamento. "Desde que me tornei mãe solteira não tenho conseguido ter um relacionamento íntimo. Não sou uma pessoa que precisa de sexo. Eu sou uma pessoa que está totalmente comprometida em criar as filhas e em pensar como nós, mulheres, devemos existir no mundo, para sermos empoderadas e nos amarmos. Um relacionamento não tem sido prioridade para mim há muito tempo. Outras pessoas podem sair de um casamento e logo encontrarem algo novo. Não há nada de errado com isso. Não julgo, celebro a jornada delas, porque para algumas isso funciona. Não funcionou para mim. Eu precisava ser celibatária. Estou orgulhosa de mim mesma por ter aproveitado esse tempo. E minha visão sobre sexo realmente mudou". No programa "The Drew Barrymore Show", quando o ator Andrew Garfield, de 39 anos, contou que ficou sem transar por seis meses para se preparar para seu papel no filme "Silence", a atriz brincou: "O que há de errado comigo que seis meses não parecem muito tempo?". Eu achava que era meio assexual A atriz Bruna Marquezine, de 27 anos, falou sobre uma fase da sua vida em que achou que era assexual. "Não tinha energia. Era uma época que não tinha energia nem para transar. Eu achava que era meio assexual. Eu estava em um momento em que eu estava muito olhando pra dentro, para mim, me reconectando comigo mesma, me reorganizando. Então você não tem essa energia para dar. As pessoas diziam que se tivessem meu corpo estariam dando para meio Rio de Janeiro". Falta de libido até para transar com o Rodrigo Hilbert? A apresentadora Fernanda Lima, de 45 anos, confessou em seu programa de TV que se sentia tão cansada com a maternidade e com a privação de sono que chegou ao ponto de não querer transar com o marido, Rodrigo Hilbert, de 42. "Bebê pequeno, final do puerpério, vida corrida... Tem sete dias que minha filhota passou a dormir a noite toda, saiu da cama compartilhada e deu a chance de o Rodrigo voltar para nossa cama de casal. Ou seja, vida nova depois de três anos. Estou descansada e transando novamente". Vale lembrar que, em 2019, Sabrina Sato, de 41 anos, declarou que ficou um ano sem transar depois que a filha nasceu: "Quem faz sexo depois de ser mãe? É difícil, a vontade não vem". Será que só os velhos não querem mais trepar, Rita Lee? Escrevi a coluna "Velho não quer trepar", em 20 de setembro de 2020, para contar que Rita Lee, de 74 anos, afirmou que: "Velho não quer trepar e usar drogas, quer ser dono de casa". A roqueira, que "trepou a vida inteira", descobriu novos prazeres na velhice. "E hoje estou aqui, velha e dona de casa, já que fazer sexo e usar drogas não me interessam mais." Será que só os velhos não querem mais trepar, Rita Lee?
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