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  1. Legislação já proibia o adultério e agora passa a criminalizar até insultos ao presidente e protestos sem aviso prévio Jacarta | Reuters O Parlamento da Indonésia aprovou nesta terça-feira (6) um novo código penal que pune o sexo fora do casamento com até um ano de prisão. A legislação atual já criminaliza o adultério, mas o novo código passa a incluir o sexo antes do matrimônio entre as práticas proibidas. Aprovadas com o apoio de todos os partidos políticos, as regras também proíbem que casais não casados oficialmente vivam juntos. As novas leis se aplicam tanto a indonésios quanto a estrangeiros, e teme-se que elas possam afugentar turistas e prejudicar a economia do país, além de limitar direitos no país que é a terceira maior democracia do mundo. Parlamentares da Indonésia durante sessão em Jacarta em que foi aprovado o novo código penal - Willy Kurniawan - 6.dez.22/Reuters Fora da pauta de costumes, o novo código passa ainda a criminalizar insultos ao presidente e a instituições do Estado, bem como a disseminação de opiniões contrárias à ideologia do país e a realização de protestos sem aviso prévio –o que, na prática, coíbe a dissidência e limita a liberdade de expressão e de discurso. Nesta terça, um grupo de estudantes da Universidade da Indonésia protestou em frente ao Parlamento durante a sessão. Os manifestantes carregavam faixas, e parte deles usava mordaças para simbolizar o que classificam de ameaças à liberdade. O Legislativo indonésio já havia tentado aprovar o novo código penal em 2019, mas uma onda de protestos em todo o país inviabilizou o trâmite. Cercadas de críticas de entidades de defesa de direitos humanos, as leis, no entanto, não entrarão em vigor nos próximos três anos, tempo estimado para a elaboração de regulamentos de implementação. Maulana Yusran, vice-chefe do conselho da indústria de turismo da Indonésia, disse que o novo código é "totalmente contraproducente" em um momento em que a economia e o turismo estão começando a se recuperar da pandemia. "Lamentamos profundamente que o governo tenha fechado os olhos. Já expressamos nossa preocupação ao Ministério do Turismo sobre o quanto essa lei é prejudicial", afirmou. O embaixador dos EUA na Indonésia, Sung Kim, disse que a notícia pode resultar em menos investimento estrangeiro, turismo e viagens para o país do Sudeste Asiático. "Criminalizar as decisões pessoais dos indivíduos teria grande importância na matriz de decisão de muitas empresas que determinam se devem investir na Indonésia", disse. Albert Aries, porta-voz do Ministério da Justiça da Indonésia, disse que as novas leis são limitadas por quem pode denunciá-las, como pais, mães, cônjuges ou filhos de suspeitos de infração. "O objetivo é proteger a instituição do casamento e os valores indonésios, ao mesmo tempo em que protege a privacidade da comunidade e também nega os direitos do público ou de terceiros de 'bancar o juiz' em nome da moralidade", alegou. Veja os 10 países mais populosos do mundo Os principais jornais da Indonésia condenaram o novo código penal em editoriais. O Koran Tempo disse que o texto tem tons autoritários, e o Jakarta Post manifestou "graves preocupações" sobre a aplicação das novas regras. A revisão das leis, no entanto, era necessária, afirmou Bambang Wuryanto, chefe da comissão parlamentar encarregada do processo. "O antigo código pertence à herança holandesa e não é mais relevante agora", disse, em referência aos colonizadores da Holanda, que dominaram o país a partir do século 17. Os opositores ao projeto descartam o viés decolonial e alegam que a aprovação das novas leis representam um enorme retrocesso na garantia da manutenção das liberdades. "Isso não é apenas um revés, mas uma morte para a democracia da Indonésia", disse Citra Referandum, advogada diretora do Instituto de Assistência Jurídica da Indonésia. "O processo em si não foi nada democrático." Juristas afirmam ainda que artigos do código podem reforçar estatutos discriminatórios e inspirados na sharia, a lei islâmica –quase 90% dos indonésios se declaram muçulmanos–, e representar uma ameaça em particular paras as pessoas LGBTQIA+. O que significa cada letra da sigla LGBTQIA+? "Regulamentos que não estão de acordo com os princípios dos direitos humanos ocorrerão em áreas conservadoras", disse Bivitri Susanti, professora da Escola de Direito Jentera da Indonésia, referindo-se a lei que, em algumas regiões, impõem toque de recolher às mulheres e reprimem o que é descrito como "sexualidades desviantes". Respondendo às críticas, o ministro de Direitos Humanos da Indonésia, Yasonna Laoly, disse que o governo fez o possível para acomodar as diferentes opiniões. "Não é fácil para um país multicultural e multiétnico criar um código penal que possa acomodar todos os interesses", afirmou, acrescentando que os que ficaram insatisfeitos podem recorrer à Corte Constitucional.
  2. Por que o sexo não é mais a prioridade de homens e mulheres de diferentes gerações? Mirian Goldenberg Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice" Como ainda não tenho palavras para descrever minha emoção, alegria e alívio com a auspiciosa vitória da democracia no domingo, vou escrever a respeito de um tema que tem tido muito destaque na mídia brasileira nos últimos meses. Por que os jovens estão desistindo do sexo? A Folha publicou matéria da BBC News Brasil, no dia 29 de outubro: "Por que tantos millennials relatam viver casamento sem sexo", destacando que alguns millennials (nascidos entre 1981 e 1995), apesar de estarem no seu ápice sexual, estão se "afastando do sexo". De acordo com especialistas, maiores preocupações financeiras, somadas às taxas mais altas de depressão e ansiedade, produzem alto estresse e baixo desejo sexual. Gisele Bündchen reclamou da abstinência sexual do marido Tom Brady; no fim, anunciaram o divórcio - Angela Weiss - 28.out.22/AFP Pesquisas recentes nos Estados Unidos mostraram que grande parte dos casais tem uma única relação por mês e que cerca de 20% não fazem mais sexo. Como é provável que muitos tenham vergonha de confessar, o número pode ser ainda maior. Falta de sexo levou Gisele Bündchen a terminar com Tom Brady? No mês de outubro, fomos bombardeados por notícias sobre os supostos motivos do divórcio de Gisele Bündchen, de 42 anos, e Tom Brady, de 45. Casados desde 2009, com um patrimônio de R$ 3 bilhões, eles assinaram o divórcio no dia 28 de outubro. As seguintes manchetes me chamaram a atenção: "Abstinência? Falta de relação sexual contribuiu para crise no casamento de Gisele Bündchen". "Tom Brady estabelece a política de não fazer sexo 24 horas antes dos jogos. Esse tempo ainda pode ser prolongado em até 72 horas em dias de decisões importantes. Segundo o jornal espanhol Marca, essa postura do atleta teria influenciado a crise e esfriado o casamento". Eu não sou uma pessoa que precisa de sexo A atriz norte-americana Drew Barrymore, de 47 anos, revelou que não faz sexo há seis anos, desde o fim do seu casamento. "Desde que me tornei mãe solteira não tenho conseguido ter um relacionamento íntimo. Não sou uma pessoa que precisa de sexo. Eu sou uma pessoa que está totalmente comprometida em criar as filhas e em pensar como nós, mulheres, devemos existir no mundo, para sermos empoderadas e nos amarmos. Um relacionamento não tem sido prioridade para mim há muito tempo. Outras pessoas podem sair de um casamento e logo encontrarem algo novo. Não há nada de errado com isso. Não julgo, celebro a jornada delas, porque para algumas isso funciona. Não funcionou para mim. Eu precisava ser celibatária. Estou orgulhosa de mim mesma por ter aproveitado esse tempo. E minha visão sobre sexo realmente mudou". No programa "The Drew Barrymore Show", quando o ator Andrew Garfield, de 39 anos, contou que ficou sem transar por seis meses para se preparar para seu papel no filme "Silence", a atriz brincou: "O que há de errado comigo que seis meses não parecem muito tempo?". Eu achava que era meio assexual A atriz Bruna Marquezine, de 27 anos, falou sobre uma fase da sua vida em que achou que era assexual. "Não tinha energia. Era uma época que não tinha energia nem para transar. Eu achava que era meio assexual. Eu estava em um momento em que eu estava muito olhando pra dentro, para mim, me reconectando comigo mesma, me reorganizando. Então você não tem essa energia para dar. As pessoas diziam que se tivessem meu corpo estariam dando para meio Rio de Janeiro". Falta de libido até para transar com o Rodrigo Hilbert? A apresentadora Fernanda Lima, de 45 anos, confessou em seu programa de TV que se sentia tão cansada com a maternidade e com a privação de sono que chegou ao ponto de não querer transar com o marido, Rodrigo Hilbert, de 42. "Bebê pequeno, final do puerpério, vida corrida... Tem sete dias que minha filhota passou a dormir a noite toda, saiu da cama compartilhada e deu a chance de o Rodrigo voltar para nossa cama de casal. Ou seja, vida nova depois de três anos. Estou descansada e transando novamente". Vale lembrar que, em 2019, Sabrina Sato, de 41 anos, declarou que ficou um ano sem transar depois que a filha nasceu: "Quem faz sexo depois de ser mãe? É difícil, a vontade não vem". Será que só os velhos não querem mais trepar, Rita Lee? Escrevi a coluna "Velho não quer trepar", em 20 de setembro de 2020, para contar que Rita Lee, de 74 anos, afirmou que: "Velho não quer trepar e usar drogas, quer ser dono de casa". A roqueira, que "trepou a vida inteira", descobriu novos prazeres na velhice. "E hoje estou aqui, velha e dona de casa, já que fazer sexo e usar drogas não me interessam mais." Será que só os velhos não querem mais trepar, Rita Lee?
  3. Trabalhadoras dizem que endurecimento de leis as colocaria em risco maior Madri | Reuters Não foi assim que ela imaginou começar uma vida nova na Espanha, mas para a migrante peruana Angela, 32, e sua família em seu país natal o trabalho sexual virou uma salvação financeira —ajudando a pagar o tratamento de câncer de seu pai e a faculdade de medicina do irmão. "Você tem projetos, tem ideias para a vida, mas a vida surpreende." Como muitos profissionais do sexo na Espanha, ela está preocupada com os planos do partido governista de reprimir a indústria do sexo com um projeto de lei que se propõe a defender os direitos das mulheres. O projeto redigido pelo Partido Socialista (PSOE) criminalizará o ato de pagar por sexo e introduzirá penas mais duras para quem explora a atividade. O objetivo é, concretamente, acabar com a prostituição e o tráfico sexual, atacando a demanda. Cartaz onde se lê "trabalhadoras somos todas" preso numa cerca após protesto em Madri contra a lei que visa endurecer penas ligadas à prostituição na Espanha - Violeta Santos Moura/Reuters O trabalho sexual online, por meio de videochamadas, e a produção de fotos e vídeos também estarão dentro da alçada da proposta —outra lei em vigor proíbe anúncios de prostituição. O texto seria votado no Parlamento no início deste mês, mas parte dos deputados concordou em, antes, dialogar com profissionais do sexo, o que pode levar a emendas ao projeto. A legislação, parte de uma campanha maior dos socialistas para promover os direitos das mulheres, trata profissionais do sexo como vítimas, não criminosas —como seria o caso se a atividade fosse proibida diretamente. "As modificações não vão penalizar as profissionais de nenhuma maneira", diz a deputada socialista Andrea Fernandez, coautora do projeto. Para ela, todo trabalho sexual é fruto de exploração que deve ser punida por lei. 'TRABALHO SEXUAL É TRABALHO' Até agora esse tipo de trabalho existe numa zona legal cinzenta na Espanha. Ele é tolerado, em grande medida, embora a exploração sexual e da atividade sejam ilegais. O que profissionais do sexo temem é que a repressão proposta não só não consiga pôr fim à prostituição como, em vez disso, aumente o perigo enfrentado por elas. "Vai continuar, só que em condições piores", diz Angela, que pediu para não dar seu nome completo. Em atos públicos recentes, cartazes diziam "trabalho sexual é trabalho" e "putas feministas". A Astra, associação que reúne essas profissionais, ameaçou identificar e expor publicamente políticos que são clientes de prostitutas. Prostitutas protestam na França contra lei antiprostituição. No cartaz, se lê 'não há prostitutas sujas, apenas leis sujas' - Jean-Philippe Ksiazek/AFP Rakel, 41, profissional do sexo que integra o grupo de campanha StopAbolition, diz que o projeto, se aprovado, forçará prostitutas a trabalhar na clandestinidade, elevando o risco de infecções e violência. "O governo vai nos jogar nos braços da máfia", diz —ela pediu para não informar seu nome completo. MULHERES CONTRA MULHERES O governo espanhol, de maioria socialista, decidiu seguir adiante com o texto apesar de divisões profundas no PSOE e em seu parceiro de coalizão, o Podemos. Críticos dizem que a iniciativa é paternalista e obscurecida por julgamentos morais acerca do trabalho sexual. Para a deputada de ultraesquerda Mireia Vehi, o projeto dividiu o movimento pelos direitos das mulheres na Espanha, numa discussão amarga que está saindo de controle. "É quase um debate sobre quem pode ou não se qualificar como feminista", diz. "Um modelo que só leva à perseguição de mulheres, que não acaba com a prostituição nem com o tráfico." Ela pede que sejam discutidas alternativas como a descriminalização da prostituição ou mesmo uma renda universal básica. Pedro Sánchez, premiê da Espanha, durante encontro de líderes europeus em Bruxelas - Yves Herman/Reuters Mais de 300 mil mulheres trabalham na indústria do sexo da Espanha, segundo relatório de 2016 da ONU, segundo o qual o setor movimenta €3,7 bilhões (R$ 20 bilhões) anualmente. Isso faria dele um dos maiores mercados de prostituição na Europa –estatística que tem sido usada por socialistas para reforçar o argumento de que a desregulamentação implementada nos anos 1990 não surtiu efeito. TRÁFICO SEXUAL Grupos que trabalham com mulheres traficadas e forçadas a se prostituir, por sua vez, têm dado apoio aos planos do governo. Mas muitas profissionais rejeitam o argumento de que a maioria foi coagida. "Me exploravam mais quando eu era garçonete", diz Angela. A discussão na Espanha se dá num momento em que a União Europeia revê sua diretiva de 2011 contra o tráfico sexual —o que pode criminalizar em todo o bloco o ato de pagar por sexo. Hoje, países do bloco adotam abordagens diversas em relação à indústria do sexo. França e Suécia punem os clientes. Na Croácia e na Romênia, prostitutas podem ser presas e processadas. Na Grécia e na Holanda o trabalho é legal, e as profissionais devem fazer um cadastro e seguir regulamentações. No início deste ano a Bélgica descriminalizou o trabalho sexual, adotando uma legislação trabalhista que deixará profissionais do sexo definirem como trabalham. Por ora, os esforços das prostitutas na Espanha estão voltados a garantir emendas ao projeto de lei, incluindo reverter a criminalização de pagar por sexo e estreitar a definição de exploração. Tradução de Clara Allain
  4. Conhecida como sexônia, disfunção pode acometer homens e mulheres; em caso de violência, dano maior é para vítima Danielle Castro Ribeirão Preto Imagine levantar de manhã com a parceira toda machucada após ser atacada sexualmente durante o sono e não ter a menor ideia de como aquilo aconteceu? Ou, então, estar no serviço militar, masturbar-se à noite pela base e depois acordar achando que os colegas estão fazendo uma brincadeira de mau gosto? Os dois casos são reais e foram relatados por pacientes que receberam o diagnóstico de sexônia ou sexonambulismo, uma disfunção rara do sono que leva a um comportamento sexual involuntário e impróprio, muitas vezes violentos. Sexônia é um distúrbio sexual que leva a comportamentos involuntários - New Africa/Adobe Stock O distúrbio é medicamente conhecido como uma parassonia, que é reconhecida pela CID (Classificação Internacional de Doenças) como movimentos anormais ou eventos psicológicos que ocorrem durante o sono. Especialistas ponderam, porém, que a disfunção precisa ser melhor conhecida e estudada, principalmente quando envolve agressão. Nestes casos, dizem, o judiciário deve diferenciar o paciente com a parossonia do estuprador sem a patologia buscando a inocência. O primeiro é comum a três homens diferentes que tiveram o distúrbio confirmado no Brasil pela médica Luciana de Oliveira Palombini, especialista em medicina do sono. O segundo caso é de um soldado norte-americano, citado no artigo "Sexônia: que sexo é esse?", publicado pela Revista Brasileira De Sexualidade Humana, em 2019, por Palombini e pela psicoterapeuta e sexóloga Glaury Coelho. Palombini, que é médica do Instituto do Sono de São Paulo, conta que se trata de um diagnóstico bastante difícil, mas real e capaz de gerar danos emocionais ao paciente e riscos para quem dorme ao lado dele. "As parassonias são comportamentos inadequados durante o sono, dos quais a pessoa realmente não tem controle", afirma a especialista. A sexônia, assim como outros transtornos do sono, acontece porque existem uma dissociação inadequada dos diferentes elementos do sono. "No momento em que normalmente não há atividade muscular para realizar esses comportamentos, a pessoa não possui essa inibição", resume a médica. As causas da disfunção vão desde fatores genéticos e físicos, como apnéia do sono e problemas respiratórios ou até psicossociais, como uso de drogas ou presença de transtornos mentais como borderline. O tratamento inclui mudanças de hábito com objetivo de reduzir o estresse, evitar a privação de sono e eliminar a rotina sedentária. A terapia e o uso de aparelhos noturnos para correção da respiração podem ser associados. "Quando a gente aborda todos esses aspectos da parassonia, esses comportamentos anormais cessam sim, mas se existe tendência, tem que haver sempre acompanhamento e manutenção da boa higiene do sono", reforça Palombini. A investigação de sexônia inclui exame de polissonografia com um especialista e avaliação psicoterápica. Psicóloga do sono pela SBP (Sociedade Brasileira de Psicologia) e ABS (Associação Brasileira do Sono), Coelho diz que este transtorno ainda é pouco conhecido e demanda mais estudos para melhor prevenção. Apesar de raro, esse "sonambulismo sexual" é polêmico, pois envolve desde transtornos conjugais até situações criminais. "O sistema judicial tem que comprovar se é uma parassonia ou um estuprador tentando se safar do dolo. É fundamental fazer a distinção. Há poucos especialistas ainda, mas informação clara e referendada já contribui como prevenção", afirma a psicóloga. Prevalente em homens, essa percepção distorcida da consciência sexual pode também acontecer em mulheres e o foco é sempre a região genital. Excitação e orgasmos durante o sono não são considerados sexônia. O transtorno pode se manifestar nos dois gêneros como masturbação violenta do outro (estupro) e de si, e por meio de falas com conteúdo sexual durante o sono. Em sua fase mais agressiva em homens, leva a tentativa e consumação do ato por meio do sexo oral, penetração vaginal ou anal até alcançar o orgasmo. O artigo de Palombini e Coelho aponta que na prática clínica "as investidas sexuais durante o sono são subnotificadas e, portanto, subdiagnosticadas", uma vez que acontecem episódios em que os parceiros não rejeitam o contato físico ou denunciam. Na literatura científica internacional, há menos de 100 casos relatados, a maior parte originada em clínicas de sono e no próprio sistema Judiciário. "Por acontecer entre casais que dormem na mesma cama, é possível que não haja uma queixa que leve a parceria a comentar com o médico, ou fazer uma denúncia policial", diz Coelho. A principal característica da sexônia é que a pessoa age sexualmente como se estivesse acordada, com lubrificação, ereção, orgasmo e ejaculação. "A reação fisiológica se apresenta associada ao comportamento sexual não consciente e, muito importante: a pessoa apresenta despertar confusional e amnésia", descreve a sexóloga. O dano maior, segundo Coelho, é sempre para quem foi vítima de abuso ou estupro, pois a pessoa dormindo está indefesa, mas o paciente também sofre com consequências. "E vem a culpa e a vergonha que pode levar a uma violência contra si mesmo", aponta a psicoterapeuta. A sexóloga lembra que algumas parassonias como sonambulismo, sonilóquio e terror noturno são comuns na infância e servem de alerta caso reapareçam a partir da adolescência, uma vez que outros distúrbios do sono podem estar associados com a sexônia. "Na infância é necessário investigar se não houve comprometimentos neurológicos, quais fatores estressantes estão associados às crises e propor uma intervenção psicoeducativa no ambiente familiar", afirma Coelho. As duas profissionais alertam que episódios sexuais seguidos de amnésia do parceiro são indicativos para buscar ajuda especializada em problemas do sono, pois além de potencial violência, criam um grande estresse do casal, o que atrapalha a capacidade de descanso e a confiança no outro. "A gente precisa fazer uma boa avaliação do equilíbrio emocional e de tudo que tem de ser controlado e manejado para cessar o problema", conclui Palombini.
  5. Cada atleta deve transar seis vezes por dia nos Jogos A pegação nas vilas olímpicas costuma ser homérica. E ajuda a explicar como funciona o corpo e a mente dos atletas de ponta. (POR: Alexandre Versignassi - ATUALIZADO EM: 29/07/2016) Três jogadoras do time sueco de handball perguntaram ao técnico de Usain Bolt, nas olimpíadas de 2008: "Tudo bem a gente entrar no quarto do velocista para dar parabéns pelo ouro dele nos 100 metros?". O treinador liberou. E os cumprimentos das suecas ao jamaicano estenderam-se por uma hora e meia, entre quatro paredes e uma porta fechada. E não teve nada demais. Nos jogos, o sexo livre é a regra, não a excessão. Não que todos tratem a Vila Olímpica como uma versão extendida e sem cortes de American Pie. Não. Os que caem na farra são "só" "uns 70%, 75% dos atletas", disse o nadador americano Ryan Lochte, ouro nos 400 metros medley em Londres numa entrevista para a ESPN. Hope Solo, goleira do futebol feminino americano, concorda: "Se você não tem disciplina, a vila pode ser uma baita distração", disse. Disciplina à parte, Hope mesmo disse que já deu seus pulos. Mas nem por isso a rival da brasileira Marta se deixou distrair tanto assim. Seus dois ouros, em Pequim e Londres, estão de prova. Atletas de ponta, afinal, podem ser jovens, bonitos, extremamente saudáveis e estarem no pico da atividade sexual, mas não rasgam medalha. Tanto que a esbórnia só come solta para valer mais para o final dos jogos, quando o trabalho já acabou para a maior dos olímpicos. Aí ninguém mais segura. Que o dia Josh Lakatos, do time de tiro ao alvo dos EUA. Quando sua equipe foi eliminada, os chefes da delegação americana pediram de volta as chaves do alojamento em que o time estava (uma casa de três andares, na vila olímpica de Sydney). Lakatos devolveu. Mas não quis nem saber. Veterano de Sydney, ele já tinha plena consciência de a vila se transformaria numa balada daquelas de fazer Calígula corar. Para não perder a festa, então, arrombou a porta da casa. E o lugar virou um porto-seguro para a prática do esporte mais antigo do mundo. "Virei um gerente de motel", brincou Lakatos, também para a ESPN. "Nunca vi tanta sacanagem na minha vida!". E ele nem precisava ter "gerenciado" um ninho de amor para ter visto tudo isso. Há relatos de sexo ao ar livre, já que nem todos os casais (ou trios, ou quartetos) consegue achar um abrigo discreto como o de Lakatos. Por essas, o Comitê Olímpico está distribuindo toneladas de camisinhas na vila olímpica, como já comentamos aqui. Serão 450 mil preservativos. Dá mais ou menos 45 por atleta. Três por dia de competição. Levando em conta que cada dupla olímpica só precisa de uma camisinha a cada round, a média de relações sexuais esperada pelo Comitê é de seis por pessoa a cada dia de competição. Mais: como um quarto dos atletas tende a não entrar na brincadeira, os 75% sexualmente ativos da vila devem superar essa marca sem grandes esforços. De onde vem tanto fogo? Para começar, a quantidade de energia que um atleta de ponta tem estacada em suas células é inimaginável para gente como a gente. O consumo médio de calorias na vila olímpica, para você ter uma ideia, é de 9 mil por atleta - com alguns chegando a 15 mil (coisa que um humano comum leva quase uma semana para consumir). Tudo isso sem treinar tanto, porque eles precisam estar no ápice enérgico para as provas. Você talvez dormisse por três dias se colocassse 10 mil calorias para dentro em 24 horas. Os atletas não: seus corpos são usinas de processamento de energia, e as calorias, combustível de alta octanagem. Some isso ao fato de todos estão confinados num espaço pequeno, e que as roupas de treino não são exatamente batinas de padre nem hábitos de freira, e pronto. Basta qualquer fagulha para que a vila entre em combustão sexual. Mas não é só o corpo dos olímpicos que explica esse fogo. É a cabeça deles também. O cérebro de um atleta de ponta é tão diferente do nosso quanto a musculatura. "Atletas são éxtremistas?. Quando treinam, têm um foco de raio laser. Quando saem para uma cerveja, são 20 cervejas...", explica Hope Solo, a morena de olhos azuis da foto ali em cima, e que acaba de desembarcar no Rio. É isso. A intensidade da mente e dos corpos dos poucos humanos capazes de disputar uma olimpíada rende performances memoráveis, mas boa parte delas ocorre bem longe dos nossos olhos.
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