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No mundo de 8 bilhões, este americano defende que pessoas parem de ter filhos
CyberLady postou um tópico no fórum em Notícias do Mundo
Les Knight diz que humanos se tornaram superpredadores que acentuam gravidade da emergência climática Cara Buckley Portland | The New York Times Para alguém que gostaria de ver sua própria espécie extinta, Les Knight é surpreendentemente despreocupado. Ele já promoveu várias festas com queima de fogos de artifício para celebrar chuvas de meteoros. Organizou uma partida de críquete nudista em seu quintal –que, vale mencionar, é protegido por uma cerca-viva de loureiros de seis metros de altura. Nem mesmo Tucker Carlson foi páreo para a alegria de Knight. Em 2005, quando o entrevistou na MSNBC, Carlson o criticou por defender as ideias "mais doentias possíveis", mas acrescentou: "Você é um dos convidados mais bem-humorados que já recebemos neste programa". Les Knight, fundador do Voluntary Human Extinction, no quintal de sua casa, em Portland, no estado americano de Oregon - Mason Trinca - 20.out.22/The New York Times Knight, 75, fundou o Voluntary Human Extinction (extinção humana voluntária), um grupo de pessoas que creem que a melhor coisa que os humanos podem fazer para ajudar a Terra é parar de ter filhos. Ele incluiu a palavra "voluntária" ao nome do movimento décadas atrás para deixar claro que seus seguidores não defendem o homicídio em massa ou o controle de natalidade forçado. Tampouco incentivam o suicídio. Seu "ethos" é refletido no lema "vida longa e extinção", além de outro de seus slogans, que Knight costuma expor em convenções e feiras de rua: "Obrigado por não se reproduzirem". Em 15 de novembro, a população da Terra chegou a um número recorde: 8 bilhões de seres humanos. Apesar das taxas de natalidade em queda, esse número está previsto para alcançar o pico de 10,4 bilhões nas próximas décadas, devido em grande medida ao aumento da expectativa de vida e à queda na mortalidade infantil. Knight está entre aqueles para os quais a superpopulação é um dos principais responsáveis pela crise climática, mas essa ideia pode ser polêmica. Países pobres e densamente povoados, como a Índia, contribuem relativamente pouco per capita para as emissões de gases estufa que estão aquecendo o planeta. Países ricos com populações relativamente menores, como os Estados Unidos, geram a maior parte da poluição que provoca o aquecimento global. "O problema que está saindo de controle é o consumo", afirma John Wilmoth, diretor da divisão de população da ONU. Para ele, encarar a limitação da população como uma solução possível para o problema climático desvia as atenções da necessidade urgente de todos abandonarem os combustíveis fósseis e fazerem uma utilização mais eficiente dos recursos naturais. "Precisamos transformar os incentivos econômicos que tornam possível lucrar com a poluição do ambiente." A ideia de que a população precisa ser controlada já levou a esterilizações forçadas e medidas que mostraram-se desumanas ou foram vinculadas a teorias racistas como a eugenia. Mas Stephanie Feldstein, diretora de população e sustentabilidade da ONG Center for Biological Diversity, diz que, embora a saúde e a longevidade humana maiores sejam coisas boas, elas encerram um custo para outros seres vivos do planeta. Veja os 10 países mais populosos do mundo No último meio século a população humana dobrou e as populações de animais silvestres diminuíram em 70%. Reduzir os índices de fertilidade humana hoje não mudará as emissões de gases estufa a curto prazo, afirma Feldstein, mas o crescimento da população humana impõe pressão crescente sobre os recursos naturais minguantes e a teia complexa de animais, aves e plantas que dependem deles. "A perda de biodiversidade pode ser igualmente devastadora, na medida em que desmonta os ecossistemas dos quais precisamos para sobreviver", diz. "A cada ano já estamos usando quase o dobro da quantidade de recursos naturais que a Terra é capaz de repor nesse mesmo período." Uma das maneiras mais eficazes de combater o aquecimento global, segundo tanto ativistas climáticos quanto vozes preocupadas com a superpopulação, é ampliar o acesso de meninas em todo o mundo à educação, além do acesso a métodos contraceptivos e planejamento familiar. Quase metade de todas as gravidezes no mundo –cerca de 121 milhões por ano— não foram planejadas. O Center for Biological Diversity já distribuiu 1 milhão de camisinhas com temas de espécies ameaçadas de extinção, em embalagens coloridas que ostentam slogans jocosos. Mas é raro encontrar alguém que vai tão longe em seu discurso público quanto Les Knight, que fez vasectomia aos 25 anos, em 1973, e não tem filhos. Além de defender o acesso universal a métodos contraceptivos e opor-se ao que descreve como o fascismo reprodutivo —ou "a falta de liberdade de não procriar"—, Knight diz que, apesar de nossas muitas conquistas, os humanos são nocivos para a Terra. "Olhe o que fizemos a este planeta", afirma Knigh, em seu quintal ensolarado. "Não somos uma espécie benéfica." Ensaio em São Paulo reflete os 8 bilhões de habitantes do mundo Não está claro quantos aderentes há no movimento nem qual é seu alcance. O grupo começou de modo quase clandestino, mas sua popularidade decolou quando Knight criou um site em 1996. De tom geral leve, a página tem material escrito e inclui citações do filósofo Arthur Schopenhauer e charges da artista Nina Paley, além de argumentos contra a procriação e a favor da adoção. Já foi traduzido para 30 idiomas e é visto por muitos como um refúgio. "A existência de um grupo desse tipo foi ótima notícia para mim porque, quando você segue esse tipo de filosofia, tende a se sentir isolado", diz o mexicano Mario Buenfil, 73, engenheiro hidráulico que participa do movimento há 20 anos. Professor substituto do ensino médio pela maior parte de sua vida profissional, Les Knight é visto com afeto por estudantes. Ele passa suas manhãs de domingo recolhendo lixo no bairro. Durante a entrevista, fez uma pausa para apreciar duas aranhas que tomavam sol em suas teias. Para ele, a presença dos aracnídeos é motivo de alegria, depois de tantos insetos e animais terem morrido numa onda de calor sufocante no oeste da América do Norte no ano passado. Autodeclarado monógamo serial, Knight vive sozinho, mas sua namorada mora na casa ao lado e adere totalmente à sua causa. "Ele não tem um ego gigantesco. Não fica tentando convencer as pessoas de suas ideias", diz Marv Ross, que foi colega de quarto de Knight na faculdade e é seu amigo há anos. "Sempre foi bem-humorado, alguém que transmite sua mensagem do jeito mais divertido possível." Quando era criança, em Oregon, filho de uma família tolerante, Knight viu madeireiras derrubando as florestas do estado. Recrutado compulsoriamente para o Exército durante a Guerra do Vietnã (ele serviu, mas não chegou a ser enviado para a guerra), estudou na Faculdade de Educação de Oregon e ingressou na representação local da entidade Zero Population Growth, algo que consolidou sua decisão de não ter filhos. "Sempre foi por causa da ecologia, do dano que os humanos causam ao ambiente." As ideias de Knight têm origem na ecologia profunda, que contesta a premissa da hegemonia humana e argumenta que outras espécies são igualmente importantes. Knight passou a enxergar os humanos como a mais destrutiva das espécies invasivas, como superpredadores. "Surgimos no mundo e depois começamos a aumentar de modo descontrolado. E, como temos inteligência suficiente para isso, deveríamos ter consciência de que precisamos acabar com isso." O número de nascimentos nos EUA subiu durante a pandemia, revertendo a queda no índice nacional de natalidade, mas uma pesquisa de 2020 descobriu que um em cada quatro americanos que não tinham tido filhos citaram a mudança climática como uma das razões disso. Pesquisas indicam que ter um filho a menos talvez seja a maneira mais importante de reduzir nossa pegada de carbono, e, embora Knight não goste de impor suas ideias às pessoas, ele gosta de pensar que alguns humanos não existem graças a seus esforços.-
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Crise climática torna megacidades inabitáveis e faz Egito e Indonésia mudarem de capital
CyberLady postou um tópico no fórum em Notícias do Mundo
Aquecimento global piora as condições de vida em cidades com mais de 10 milhões de habitantes, que passaram de 2 para 33 em sete décadas, e serão 47 em 2050 Por Miguel Ángel Medina, Marc Español e Inma Bonet Bailén, El País — Madri, Cairo e Pequim 09/11/2022 04h30 Atualizado há 6 horas Vista do rio Nilo entre a cidade do Cairo (esquerda) e Gizé (direita) é encoberta pela poluição do ar Amir Makar/AFP Em 1950 havia apenas duas megacidades — cidades gigantes com mais de 10 milhões de habitantes — em todo o mundo, Tóquio e Nova York; hoje já são 33 — muitas das quais não soarão familiares ao leitor — e em três décadas serão cerca de 50. As mudanças climáticas, com o aumento das temperaturas e os fenômenos extremos que acarretam, pioram as condições de vida de seus habitantes a ponto de torná-las cada vez mais inabitáveis. De fato, países como Indonésia e Egito já estão construindo novas capitais do zero para transferir seu governo e funcionários para outros locais mais aprazíveis. A maioria dessas megacidades está localizada na África, Oriente Médio e Sul da Ásia, justamente as áreas mais afetadas pelo aquecimento global. “As cidades mais insustentáveis são Kinshasa, Nairóbi, Lagos, Dhaka, Bagdá, Lahore, Calcutá e Nova Délhi, que também aumentarão sua população em 50% até 2050", explica o relatório Ameaças Ecológicas do Instituto de Economia e Paz, que analisa diferentes variáveis como acesso à água potável, desastres naturais, crescimento populacional e insegurança alimentar. O documento continua: “Isso, aliado aos altos níveis de poluição ambiental, más condições de saneamento, condições climáticas extremas, altas taxas de homicídios e ameaças ambientais, tornarão essas cidades inabitáveis”, estimando que as cidades que terão maior crescimento serão as da África Subsariana: Dar es Salaam (Tanzânia) e Nairóbi duplicarão a sua população em 30 anos, enquanto Kinshasa, Lagos e Cartum crescerão 80% nesse período. Entre esses monstros urbanos há lugares pouco conhecidos no Ocidente como Chennai, Ahmedabad e Hiderabat (Índia), ou Tianjin e Chongqing (China). De acordo com Julia López Ventura, diretora para a Europa do C40 Cities, o grupo de liderança climática das maiores cidades do mundo, “as mudanças climáticas afetam mais as megacidades do que as cidades menores”. — Em relação às altas temperaturas, por exemplo, em ambientes altamente edificados e com menos áreas verdes, cria-se o efeito de ilha de calor, o que implica em maior captação de calor. Isso significa que em uma onda de calor os centros das grandes cidades podem ter temperaturas de três a cinco graus mais altas do que as de fora, com todos os problemas que isso acarreta para a população mais vulnerável — explica. Este é um dos problemas enfrentados pelo Cairo (21,8 milhões de habitantes), uma das megacidades com as temperaturas mais altas e maior estresse hídrico do mundo. Está também entre as mais poluídas, seja pela qualidade do ar, seja pelo ruído e ou pelos anúncios luminosos. Algumas horas são suficientes para perceber como a poluição entra pelas narinas, fazendo os olhos coçarem ou gerando distúrbios do sono, uma pressão que se agrava nas vastas áreas informais que compõem a maior parte da capital. As principais batalhas atuais do governo egípcio para lidar com essa situação se concentram na redução de emissões, na melhoria do transporte público e na gestão de resíduos. Há progresso, mas é lento e não inclui elementos-chave como o entorno construído. — Devíamos ter começado há 20 anos. Especialmente no Cairo, uma das cidades mais densas do Norte da África e do Oriente Médio e que gera mais emissões de carbono per capita. Existem muitos problemas relacionados com as alterações climáticas. E isso só vai piorar — alerta Marwa Dabaieh, professora de arquitetura sustentável da Universidade de Malmö, com sede na Suécia. As autoridades egípcias admitem ter jogado a toalha e, nos últimos cinco anos, aceleraram a construção de novas cidades, que vendem como projetos verdes e sustentáveis, para aliviar a pressão. Estudos independentes insistem que essas novas cidades, porém, geram uma pegada ecológica significativa. Um caso paradigmático é o da nova capital que o Egito está construindo a Leste do Cairo, que se apresenta como um oásis tranquilo no meio do deserto para onde, inicialmente, irão a sede do governo, funcionários e uma pequena elite. — A nova capital é um exemplo óbvio: não se dá atenção ao impacto ambiental. Apesar de toda a quantidade de concreto que é derramado, os prédios estão mal adaptados ao clima com torres de vidro no meio do deserto, que exigem muito resfriamento e aquecimento, e muitas áreas verdes quando nem temos água para beber — lamenta Dabaieh. O que acontecerá com os habitantes deixados para trás é em grande parte desconhecido. Bernhard Barth, especialista em mudanças climáticas e cidades da ONU Habitat, acrescenta outros problemas dessas megacidades: — Muitas vezes, o tamanho e a forma de nossas cidades as tornam particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, tanto pelo calor quanto pela qualidade do ar. No entanto, é preciso dizer que o efeito ilha de calor também tem muito a ver com a forma como nossas cidades são construídas, os materiais que são usados, a falta de espaços verdes, a falta de lagos, rios e córregos que ajudem a circular a água. Além disso, as grandes cidades também são muito propensas a inundações — explica. Enchentes em Jacarta As contínuas inundações, agravadas pelas mudanças climáticas, são justamente o problema fundamental da congestionada Jacarta, uma megacidade de 11,1 milhões de habitantes (embora a área metropolitana triplique esse número) que está afundando a uma velocidade média de 10 centímetros por ano. Cerca de 40% da urbe já está abaixo do nível do mar e especialistas alertam que poderá ficar completamente submersa até 2050. Além disso, a capital indonésia não canaliza água potável suficiente e mais da metade da população depende de poços que captam recursos hídricos de aquíferos rasos. Esta situação, aliada à construção desenfreada, limita ainda mais os espaços abertos para absorção e precipita o afundamento do terreno, criando um sério problema diante das inundações cada vez mais frequentes devido ao aumento das tempestades de monção. Com este panorama, o Parlamento indonésio aprovou em janeiro a transferência da capital para a ilha de Bornéu. Nusantara, como será chamada a nova capital cuja inauguração está prevista para o verão de 2024, foi concebida como um território de baixo carbono, que aspira a se tornar uma cidade inteligente cercada de floresta. Embora as autoridades assegurem que Nusantara “será o ponto de partida para uma Indonésia baseada na economia ecológica”, o projeto também tem detratores. A realocação da capital pode colocar em risco a floresta tropical já amplamente desmatada de Bornéu, o habitat natural de orangotangos, tigres e elefantes, e pode forçar as comunidades indígenas da ilha a serem deslocadas se grandes extensões de floresta forem desmatadas. Bernhard Barth, da ONU Habitat, acredita que o aquecimento global está levando a essas situações: — Há boas razões para dizer que algumas áreas são inseguras para se viver, seja pelo calor extremo, pelo aumento do nível do mar ou pelas taxas de inundação do terreno, mas na maioria dos casos, o impacto ambiental da construção de uma nova cidade é muito alto em termos de uso do solo ou de materiais de construção — declarou. Em sua opinião, o retrofit das cidades atuais é uma estratégia mais barata e positiva, além de ambientalmente mais sustentável. Assim, compromete-se a converter áreas industriais desocupadas em áreas comerciais ou residenciais e planejar novas áreas verdes em terrenos não utilizados. Julia López Ventura destaca que 70% das cidades agrupadas no C40 Cities (incluindo várias megacidades) sofrem os efeitos das mudanças climáticas há muito tempo, “por isso é importante que comecem a trabalhar agora seus riscos e vulnerabilidades, que aumentarão nos próximos anos. Nesse sentido, aponta que, se as emissões de gases de efeito estufa não forem reduzidas, “a elevação do nível do mar pode afetar 800 milhões de pessoas em 570 cidades” com mais de três milhões de habitantes. -
O que é o 'episódio triplo' de La Niña que preocupa a ONU
CyberLady postou um tópico no fórum em Notícias do Mundo
Segundo as Nações Unidas, há 70% de probabilidade de que o fenômeno continue durante os meses de setembro e novembro deste ano e 55% de chance de se estender até fevereiro de 2023 BBC News Brasil A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que existe o risco de 2022 ter o terceiro episódio consecutivo do fenômeno climático La Niña. A agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que há 70% de probabilidade de que esse fenômeno continue durante os meses de setembro e novembro deste ano. Se isso acontecer, será a primeira vez neste século que há um "episódio triplo" do La Niña. O prolongamento do La Niña agravará a seca no Chifre da África, que ameaça a subsistência de cerca de 18 milhões de pessoas, alerta a OMM - Getty Images O fenômeno climático atual teve início em setembro de 2020. Se durar até o final do ano, atingirá três invernos consecutivos, razão pela qual é considerado um "episódio triplo". A OMM também estimou que há 55% de chance de que o La Niña continue até fevereiro de 2023. O que é a La Niña? Os fenômenos La Niña e El Niño são as duas fases opostas do mesmo padrão climático, conhecido entre os cientistas como El Niño-Oscilação Sul (Enso). O Enso é um fenômeno natural em que a temperatura superficial no Oceano Pacífico, próximo da Linha do Equador, se altera. E isso tem consequências importantes para o clima ao redor do planeta. O El Niño é a fase quente e geralmente aparece primeiro. Ele ocorre quando as condições de pressão do ar mudam, enfraquecendo os ventos alísios no Hemisfério Sul do Pacífico. Assim são conhecidos os ventos que costumam soprar de leste a oeste naquele oceano, desde regiões subtropicais de alta pressão até zonas equatoriais de baixa pressão. Arte mostra o aumento da temperatura de águas do oceano Pacífico causado pelo El Niño - BBC/Nasa/MUR SST Os ventos alísios transportam águas superficiais quentes da zona equatorial da costa da América do Sul em direção à Ásia, do outro lado do Pacífico. Isso faz com que as águas das profundezas, que são mais frias, subam em direção à superfície. Mas quando esses ventos enfraquecem, ou sopram na direção oposta, eles carregam água quente do Sudeste Asiático para a América do Sul. O La Niña é justamente o oposto: quando os ventos alísios são muito fortes, a subida das águas frias profundas é acelerada e a temperatura do mar cai abaixo do normal. É por isso que o La Niña é considerado a fase fria do fenômeno. Arte mostra a queda da temperatura de águas do oceano Pacífico causada pelo La Niña - BBC/Nasa Geralmente, entre as duas fases, há um período conhecido como "zona neutra", em que nenhum dos dois eventos são notavelmente ativos e as temperaturas ficam na média. O climatologista Alfredo Alpio Costa, especialista em mudanças climáticas do Instituto Antártico Argentino, explica que o Enso é bem irregular. Os ciclos de início do El Niño e o término do La Niña podem demorar entre dois e sete anos. Mas esses dois fenômenos nem sempre se alternam de forma regular. Às vezes, como está acontecendo agora, apenas uma das fases se repete várias vezes, sem que o oposto apareça. "Faz muitas décadas que não vemos três Las Niñas consecutivos", observa o especialista. As consequências Costa destaca que o Enso gera impacto em grande parte do mundo porque "a extensão do Oceano Pacífico equatorial é tão vasta que acaba afetando os padrões climáticos em escala global". Sobre o La Niña, ele afirma que o evento provoca mudanças nas Américas, na Ásia, na África e na Oceania, "mas não tanto na Europa", onde o clima é afetado por outros fatores meteorológicos. "Os efeitos do La Niña no mundo são muito variados: no leste da Argentina, no sul do Brasil e no Uruguai, produz seca", detalha. A foto mostra uma região alagada. Só é possível ver um banco quase submerso. O La Niña provoca mudanças climáticas nas Américas, na Ásia, na África e na Oceania. Em alguns pontos, leva à seca, em outros, ao aumento de chuvas - Getty Images "Porém, no nordeste do Brasil, no norte da Austrália e no sudeste da Ásia é o oposto, com aumento das chuvas. E partes de China, Índia e Japão, além do oeste do Canadá e sul do Alasca (EUA) acabam afetadas por temperaturas mais baixas do que o esperado", diz. "A África Oriental também é atingida pela seca", alerta. Num relatório sobre "o primeiro episódio triplo de La Niña deste século", o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, destacou o impacto que o fenômeno terá neste continente. "Infelizmente, os dados mais recentes sobre o La Niña confirmam projeções climáticas regionais que apontavam para um agravamento da devastadora seca no Chifre da África, cujas consequências afetarão milhões de pessoas", escreve. Estima-se que 18 milhões de indivíduos enfrentam fome severa como resultado da pior seca da região em 40 anos. O Chifre da África está passando pela pior seca em 40 anos - Getty Images Mudança climática? A ONU esclarece que o Enso não é causado pelas mudanças climáticas. "Trata-se de um fenômeno natural recorrente que vem acontecendo há milhares de anos", diz a agência. No entanto, ela destaca que "alguns cientistas acreditam que [El Niño e La Niña] podem se tornar mais intensos e/ou mais frequentes como resultado das mudanças climáticas, embora ainda não esteja 100% claro exatamente como isso tudo acontece". "As mudanças climáticas provavelmente afetarão o El Niño e o La Niña, em termos de eventos extremos. Pesquisas adicionais ajudarão a separar a variabilidade climática natural de quaisquer tendências relacionadas às atividades humanas", conclui o relatório. - Este texto foi publicado em [Hidden Content]
