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A partir de 2004, a Intel migrou rapidamente todos os processadores de alto desempenho para o soquete 775, transformando as placas soquete 478 em uma plataforma de baixo custo, destinada sobretudo aos Celerons. Nesta terceira parte do tutorial, falarei sobre os chipsets para placas soquete 755, incluindo a série 9xx da Intel, os nForce 4, 500 e 600 da nVidia e os chipsets da SiS e VIA.

 

 

A partir de 2004, a Intel migrou rapidamente todos os processadores de alto desempenho para o soquete 775, transformando as placas soquete 478 em uma plataforma de baixo custo, destinada sobretudo aos Celerons. O principal problema com a plataforma 478 é que ela é um beco sem saída em termos de upgrade, já que não é possível atualizar para um Core 2 Duo. Apesar disso, as placas soquete 478 se tornaram tão baratas, que continuaram representando a maior parte das vendas no Brasil ao longo de 2005 e 2006. Além das placas, o Celeron D (baseados no core Prescott) teve seu preço drasticamente reduzido após o lançamento do Core 2 Duo, tornando-se mais barato que os Semprons equivalentes.

 

As primeiras placas soquete 775 chegaram ao mercado na primeira metade de 2004, o que representa uma demora sem precedentes com relação à popularização de uma nova plataforma para processadores Intel. O principal motivo é que os uso do soquete 775 realmente encarece as placas e apresenta vantagens reais apenas no caso de processadores que operam com bus de 1066 MHz ou mais, o que não é o caso dos Celerons. O principal motivo da Intel ter permitido que a plataforma soquete 478 tivesse uma sobrevida tão grande era conservar uma plataforma de baixo custo, que pudesse conter o avanço dos processadores AMD.

 

De qualquer forma, com a popularização dos processadores baseados na arquitetura Core, as placas soquete 478 chegaram ao fim da linha, abrindo espaço para suas sucessoras, baseadas nos chipsets Intel da série 9xx, juntamente com os concorrentes da nVidia, SiS e VIA.

 

Além de introduzirem o suporte aos processadores que utilizam o soquete 775, os chipsets da série Intel 9xx trouxeram outra mudança radical, que foi a morte do barramento AGP, que deu espaço ao barramento PCI-Express. Embora nem todos os chipsets da série 9xx ofereçam slots PCIe 16x para a conexão de placas 3D offboard, nenhum deles oferece suporte a slots AGP.

 

Uma observação importante é que nem todas as placas soquete 775 são compatíveis com os processadores Core 2 Duo. Toda a leva inicial de placas, produzidas em 2004 e 2005 e também muitas das placas produzidas no início de 2006 não são diretamente compatíveis com os processadores baseados no core Conroe.

 

Parte destas placas utilizam componentes e um regulador de tensão compatíveis e precisam apenas de um upgrade de BIOS para suportar os processadores da nova plataforma. Mas, muitas utilizam reguladores de tensão incompatíveis e por isso não podem ser atualizadas. Para elas, o Pentium D é o limite.

 

Isso acontece por que o Core 2 Duo exige uma placa com um regulador de tensão compatível com a especificação VRM 11, que foi finalizada apenas em 2006. Mesmo que a placa utilize um chipset compatível e um BIOS atualizado, a questão do regulador de tensão torna-se um obstáculo intransponível. A lista de placas incompatíveis inclui muitas placas baseadas nos chipsets i915, i925, i945, i955 e até mesmo nos chipsets i975X, nForce 4 SLI, SiS 661FX e outros. Ou seja, inclui até mesmo placas baseadas em chipsets premium.

 

Voltando aos chipsets, A leva inicial da série 9xx da Intel é composta pelos chipsets da série 915 (a linha de baixo custo, usada na maior parte das placas) e pela linha 925X, destinada às placas de alto desempenho.

 

Todos compartilham as mesmas opções de ponte sul, representadas pelos chips ICH6 e ICH6R. Uma das novidades em relação aos ICH anteriores é uma versão atualizada do chipset de áudio integrado, que ganhou o suporte a streams de 24 bits e até 192kHz de definição. Ambos oferecem 4 portas RAID e 1 porta IDE, mas o ICH6R inclui suporte a RAID.

 

A série 915 é a mais segmentada, composta por nada menos de 5 chipsets (915P, 915PL, 915G, 915GV e 915GL).

 

O 915P é um chipset dual-channel, que oferece suporte a 4 GB de memória RAM, bus de 800 MHz, PCI-Express 16x e vem sem vídeo onboard. O 915PL é uma versão de baixo custo, que vem com um dos controladores de memória desativados, de forma que, além de não oferecer suporte a dual-channel, passa a suportar apenas 2 GB de memória.

 

Outra diferença é que o 915P oferece suporte tanto a memórias DDR-400, quanto memórias DDR2-533 (a escolha do tipo de memória a suportar recai sobre o fabricante da placa), enquanto o 915PL oferece suporte suporte apenas a memórias DDR-400.

 

O uso de memórias DDR2-533 não é exatamente uma vantagem em relação às DDR-400, pois, apesar de realizarem 4 transferências por ciclo, os módulos DDR2-533 operam a apenas 133 MHz, enquanto os DDR-400 operam a 200 MHz, realizando duas transferências por ciclo. Isso faz com que, embora levem uma pequena vantagem em transferências seqüenciais, os módulos DDR2-533 trabalhem com tempos de latência mais altos, fazendo com que, na prática, acabem sendo mais lentos em muitas situações.

 

Módulos de memória DDR2 oferecem ganhos substanciais de desempenho em em relação aos DDR quando são comparados módulos da mesma frequência. Um módulo DDR2-800 (200 MHz) é mais rápido que um DDR-400 (também 200 MHz) em qualquer tarefa, já que os tempos de latência de ambos (se medidos em milessegundos) são similares e o módulo DDR2 leva vantagem por ser mais rápido em transferências sequenciais. Mas, se compararmos módulos de frequências diferentes, a história muda.

 

Um exemplo de placa baseada no 915P é a ECS 915P-A. Ela é uma placa curiosa, pois ao mesmo tempo em que tenta se posicionar como uma placa de alto desempenho, oferecendo um slot PCI-Express 16x e dispensando o vídeo onboard, ela oferece camadas de compatibilidade normalmente encontradas apenas em placas de baixo custo.

 

A primeira delas é o fato de oferecer a opção de utilizar módulos DDR-400 ou DDR2-533, oferecendo dois slots para cada tipo de memória. O problema é que você não pode misturar módulos dos dois tipos, de forma que acaba com apenas 2 slots utilizáveis. Como o 915P suporta módulos de até 1 GB, você acaba limitado a um máximo de 2 GB, seja qual for o tipo de memória escolhido.

 

A segunda é a presença do slot AGP-Express, uma gambiarra feita para permitir o uso de uma placa AGP, onde a alimentação elétrica de dois slots PCI é combinada para criar um slot AGP. Como este slot "AGP" é ligado ao barramento PCI, a performance de qualquer placa AGP ligada a ele é brutalmente reduzida, já que fica limitada ao barramento compartilhado de 133 MB/s oferecido pelo PCI.

 

O chipset de rede Intel, que faz parte do pacote do chipset 915P foi substituído por um chip Realtek RTL8110S, ligado ao barramento PCI Express. Como em outras placas atuais, a ECS 915P-A possui 4 portas SATA, mas apenas uma interface IDE. A idéia é que você utilize HDs SATA, reservando a porta IDE para a conexão do drive de CD/DVD. Concluindo, a placa possui também dois slots PCI Express 1x e dois slots PCI:

ECS 915P-A, baseada no chipset 915P

 

Em seguida temos os chipsets 915G, 915GV e 915GL. Os três possuem suporte a dual-channel e incluem um chipset de vídeo GMA900 (Extreme Graphics 3) integrado. O 915G é a versão "completa", que inclui os links PCI-Express necessários para criar o slot 16x e oferece suporte a memórias DDR2. O 915GV carece do slot PCI Express 16x (ele é destinado a placas de baixo custo, onde o vídeo integrado não seria substituído por uma placa offboard), enquanto o 915GL abandona também a compatibilidade com memórias DDR2.

 

Existiu ainda o 910GL, um chipset de baixo custo (pouco usado), destinado a placas para o Celeron D. Ele utiliza um chipset de vídeo GMA900, não oferece o slot PCI Express 16x e ainda por cima suporta apenas o bus de 533 MHz utilizado pelo Celeron D, abandonando a compatibilidade com os processadores Pentium D e Pentium 4 com core Prescott. Devido a este conjunto de desvantagens ele acabou sendo virtualmente ignorado pelos fabricantes de placas, que preferiam utilizar os chipsets da SiS e VIA nas placas de baixo custo.

 

A família 925X é composta por apenas dois chipsets, o 925X e o 925XE, ambos lançados em 2004. Eles são chipsets mais caros, destinados a substituir o 875P. Diferentemente dos chipsets da série 915, que suportavam tanto memórias DDR, quanto DDR2, o 925X e 925XE suportam apenas memórias DDR2, o que tornou a adoção de ambos um pouco mais lenta.

 

Ambos oferecem slots PCI Express 16X e não possuem vídeo onboard. A diferença é que o 925X oferece suporte apenas a processadores com bus de 800 MHz, enquanto o 925XE é uma versão atualizada, que oferece suporte a bus de 1066 MHz.

 

Aqui temos o diagrama de blocos do 925X. O chip MCH inclui 16 linhas PCI-Express, usadas pelo slot PCIe 16x e os dois controladores DDR2, responsáveis pelo suporte a dual-channel.

 

Interligando a ponte norte e ponte sul, temos um barramento DMI, que oferece uma banda de 2 GB/s. Ele é necessário, por além de incluir as portas Serial-ATA, barramento PCI, portas USB e outros dispositivos integrados, o chip ICH disponibiliza 4 linhas PCI Express adicionais, que são utilizadas pelos slots PCI Express 1x. Opcionalmente, uma das linhas pode ser utilizada para conectar um chipset de rede gigabit externo, como no caso da ECS 915P-A:

Diagrama de blocos do i925X

 

Os chipsets i915 e i925X possuem uma curiosa "proteção contra overclock" adicionada intencionalmente pela Intel. Ao tentar aumentar a frequência de operação da placa em mais de 10% o mecanismo entra em ação e a placa simplesmente reinicia sem aviso. A idéia original seria convencer o usuário de que ele tentou realizar um overclock excessivo e assim convencê-lo se conformar em ficar dentro da margem de 10%. Este foi apenas mais um exemplo de "castração voluntária" por parte da Intel.

 

Apesar disso, a Asus e Abit, seguidas pelos demais fabricantes rapidamente encontraram formas de burlar o sistema de proteção, utilizando uma série de truques para oferecer placas soquete 775 capazes de trabalhar de forma estável a frequências bem acima do especificado, permitindo ajustar de forma independente a frequência de barramentos sensíveis (como o PCI-Express).

 

Atualmente, praticamente todas as placas do mercado incorporam estes mecanismos, de forma que a trava incluída nos chipsets acabou se tornando apenas uma história curiosa.

 

 

Em 2005 foi lançada a família 945, composta pelos chipsets 945G, 945P e 945PL, que incluem suporte aos processadores Pentium D dual core lançados na mesma época. Assim como os chipsets da série 925, os três oferecem suporte exclusivo a memórias DDR2, com direito a dual-channel e suporte a até 4 GB de memória e slots PCI-Express 16x.

 

O 945G incorpora um chipset de vídeo onboard, o mesmo GMA900 usado na série 915, enquanto tanto o 945P, quanto o 945PL são destinados a placas sem vídeo onboard. Assim como outros chipsets cujo nome termina com a letra "L", o 945PL é uma versão de baixo custo, que oferece suporte a apenas 2 módulos de memória (embora conserve o suporte a dual-channel), até um máximo de 2 GB.

 

Os três chipsets são compatíveis com o ICH7, que adiciona suporte a portas SATA 300 e aumenta o número de linhas PCI Express de 4 para 6. Existe ainda a opção de utilizar o chip ICH7R, que inclui suporte a RAID.

 

Pouco depois, chegaram ao mercado os chipsets 955X e 975X. Ambos oferecem suporte a bus de 1066 MHz e a processadores dual-core. O suporte a dual-channel e a memórias DDR2 foi mantido e o máximo de memória suportado foi ampliado para 8 GB (4 pentes de até 2 GB cada). Um recurso interessante oferecido por eles (e pelos demais chipsets Intel dual-channel daí em diante) é o Intel FlexMemory, que permite o uso do dual-channel mesmo ao utilizar dois pentes de capacidades diferentes.

 

A principal diferença entre os dois reside na configuração das linhas PCI-Express disponíveis no chip MCH. O 955X suporta um único slot PCI-Express 16x, enquanto o 975X oferece a opção de utilizar dois slots PCI-Express 16x (ao utilizar ambos simultaneamente, cada um fica com 8 linhas de dados), o que permite o desenvolvimento de placas-mãe com suporte a duas placas de vídeo ATI em modo CrossFire.

 

Inicialmente, era possível utilizar também placas nVidia em modo SLI, mas esta possibilidade foi logo removida pela própria nVidia, que incluiu proteções nos drivers para que o SLI funcionasse apenas em placas mãe baseadas em seus chipsets. Com a fusão da ATI e AMD, criou-se uma situação estranha, onde a Intel dá suporte ao CrossFire, que seria o padrão do "concorrente", enquanto a nVidia ficou isolada, permitindo que o SLI seja utilizado apenas em conjunto com seus próprios chipsets. Com a aproximação entre a Intel e a nVidia, é possível que esta situação mude na próxima geração de chipsets.

 

Em Junho de 2007 a Intel lançou o P35 (Bearlake), representante da nova geração de chipsets para placas soquete 755, que inclui suporte a memórias DDR3. Assim como no i915P, ele mantém suporte com o padrão anterior, de forma que os fabricantes podem escolher entre criar placas com suporte a memórias DDR2, DDR3, ou mesmo placas híbridas, que suportem ambos os padrões. Entretanto, o suporte a memórias DDR regulares foi removido, já que não faria sentido arcar com os custos de oferecer suporte aos 3 padrões simultaneamente.

 

O P35 é o primeiro chipset a oferecer suporte oficial ao bus de 1333 MHz. Ele passa a utilizar o chip ICH9 como ponte sul e inclui também um controlador de memória sensivelmente aprimorado, que oferece uma melhora de 6 a 20% no desempenho de acesso à memória, mesmo ao utilizar módulos de memória DDR2 convencionais.

Intel P35

 

Uma observação importante é que a partir do P35 a Intel deixou de oferecer suporte oficial aos processadores baseados na arquitetura NetBurst, ou seja, a todos os Pentium 4, Pentium D e Celeron D, de forma a pressionar os fabricantes a realizarem a transição para os processadores baseados na plataforma Core o mais rápido possível.

 

Note que a falta de "suporte oficial" não quer dizer que os processadores antigos realmente não funcionem em conjunto com os novos chipsets (afinal, o barramento permanece o mesmo), mas simplesmente que não existe nenhuma garantia de compatibilidade por parte da Intel. Se você pretende aproveitar um Pentium D ou Celeron D do upgrade anterior, é recomendável procurar por uma placa cujas especificações especifiquem claramente que ela oferece suporte à família anterior.

 

Continuando, o P35 inclui 22 linhas PCI Express, o que ainda não permite o uso de dois slots PCI Express 16x simultaneamente. Como em chipsets anteriores, os fabricantes podem criar placas com dois slots PCIe 16x para o uso de duas placas em modo CrossFire (ainda sem suporte a placas nVidia em modo SLI), mas ao usar duas placas, ambos passam a operar a 8x, ou então o primeiro continua operando a 16x, enquanto o segundo opera a 8x ou 4x.

 

O uso de dois slots PCIe 16X "reais" torna-se possível a partir do Intel X38, um chipset de alto desempenho, sucessor direto do 975X. Ele é o primeiro chipset a oferecer suporte a PCI-Express 2.0, onde a taxa de transferência é dobrada, atingindo um total de 5 gigabits em cada direção, por linha, além de incluir suporte oficial a módulos DDR3-1333 (o P35 oferece suporte oficial apenas aos módulos DDR3-1066).

 

Temos ainda os chipsets G33 e G35, que são as versões de baixo custo dentro da família, sucessores dos chipsets 945G e G965. Eles também incluem suporte a bus de 1333 MHz e a módulos DDR3, mas não oferecem suporte a PCI Express 2.0, que é por enquanto uma exclusividade do X38.

 

A principal diferença entre eles e o P35 é a presença do chipset de vídeo integrado. O G33 inclui o chipset Intel GMA3100, enquanto o G53 inclui o GMA3500, uma versão bastante aperfeiçoada, que oferece suporte a DirectX 10.

 

Um exemplo de placa baseada na nova linha de chipsets é a Asus P5K3 Deluxe, lançada em junho de 2007:

Asus P5K3 Deluxe, baseada no Intel P35

 

Esta é uma placa soquete 775, baseada no P35, com suporte a toda a linha Core 2, incluindo os Core 2 Quad e Core 2 Extreme, além dos processadores Pentium 4, Pentium D e Celeron soquete 775. Ela oferece suporte apenas a módulos DDR3, com suporte a até 4 módulos de 2 GB em dual-channel.

 

Apesar de ela incluir dois slots PCIe 16x, apenas o primeiro (em azul) é um slot PCIe 16x real. Embora seja eletricamente compatível com as placas 16x, o segundo slot inclui apenas 4 linhas, o que prejudica levemente o desempenho ao utilizar duas placas.

 

A placa inclui também 2 slots PCIe 1x e três slots PCI. O slot usado para a conexão da placa wireless é também ligado a uma linha PCI-Express, mas o formato e a posição são diferentes, para evitar que a placa wireless seja usada em conjunto com placas de outros fabricantes.

 

Embora o P35 não inclua interfaces IDE, a P5K3 inclui uma porta ATA-133, ligada a um controlador externo da JMicron. Este mesmo controlador inclui também duas interfaces eSATA disponíveis no painel traseiro (bem no centro, abaixo da porta firewire e entre as portas USB). Elas são complementadas pelas 6 portas SATA 300 (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10) disponibilizadas pelo chip ICH9R, usado como ponte sul.

 

Esta é uma placa dual gigabit, que inclui duas placas de rede. A configuração é interessante, pois as duas interfaces são providas por chipset separados (um Marvell 88E8056 e um Realtek RTL8187), onde o chip Marvell (responsável pela primeira interface) é ligado a uma linha PCI Express, enquanto o chip Realtek (responsável pela segunda) é ligado ao barramento PCI.

 

Ao contrário do que pode parecer, o chipset P35 não gera tanto calor assim quando operando à frequência normal, tanto que você encontra outras placas baseadas nele com exaustores muito mais modestos. O principal objetivo dos hot-pipes e dos dissipadores de cobre é permitir que a placa trabalhe estavelmente a frequências muito mais altas que as especificadas, atraindo a atenção do público interessado em overclocks mais extremos.

 

Devido à preocupação com o baixo consumo elétrico, os processadores Core2 Duo suportam overclocks surpreendentes, de forma que mesmo placas de baixo custo incluem um conjunto relativamente completo de opções. Aqui temos o setup de uma Gigabyte GA-P35-DS3R, configurada para trabalhar com FSB de 505 MHz (2020 MHz de frequência efetiva, já que temos 4 transferências por ciclo). Apesar de ser uma placa baseada no P35, ela utiliza memórias DDR2, por isso o multiplicador da memória (System Memory Multiplier) está em 2.00, o que resulta em uma frequência de 1010 MHz:

 

Como você pode notar, tanto a tensão do processador (CPU Voltage Control), quanto a tensão da memória (DDR2 OverVoltage Control) foram ajustados com valores muito mais altos que o normal. O processador está trabalhando com 1.425v, ao invés de 1.312v e a memória está trabalhando a 2.4v (com o acréscimo dos 0.6v) ao invés de 1.8v, que seria o valor normal.

 

Com esta configuração, foi possível obter nada menos do que 3.535 GHz usando um Core2 Extreme X6800:

 

Utilizando um processador mais barato, como o Core2 Duo E6300, que opera a 1.86 GHz, com bus de 266 MHz (1.066 GHz levando em conta as 4 transferências por ciclo) e multiplicador travado em 7x, seria possível obter facilmente 2.8 GHz, ajustando o FSB para 400 MHz e utilizando memórias DDR2-800 (mantendo o multiplicador da memória em 2.00).

 

 

Chipsets da nVidia

 

 

Em seguida temos os chipsets dos demais fabricantes. O destaque fica por conta dos chipsets da nVidia. A notícia de que a nVidia passaria a fabricar chipsets para processadores Intel não foi exatamente bem recebida pela própria, enquanto que a tentativa da Intel de licenciar o padrão SLI para uso em seus chipsets foi negada pela nVidia. Apesar disso, depois da fusão entre a AMD e a ATI, a nVidia tem se aproximado cada vez mais da Intel, em uma relação de amor e ódio.

 

Inicialmente, a nVidia era apenas um fabricante de placas 3D. Com o lançamento do nForce, passaram a fabricar também chipsets, mas inicialmente apenas para processadores AMD. A partir do nForce 4, todas as versões do nForce passaram a ser produzidas em duas versões, uma para processadores Intel e outra para processadores AMD. As duas versões são sempre diferentes, devido à mudança no barramento utilizado e a necessidade de incluir o controlador de memória na versão para processadores Intel. Nos processadores AMD de 64 bits, o controlador de memória é incluído diretamente no processador, o que simplifica muito o design do chipset.

 

O principal diferencial dos chipsets da nVidia em relação aos Intel e dos demais fabricantes é o suporte a SLI, que, pelo menos até 2007, é um monopólio da nVidia. Os chipsets Intel suportam apenas o CrossFire, enquanto os VIA e SiS não suportam nenhum dos dois padrões.

 

Tudo começou com o nForce4 SLI Intel Edition, lançado no final de 2004. Ele era um chipset destinado ao público entusiasta, que incluía 4 portas SATA 300 (com suporte a RAID), suporte a memórias DDR2 em dual-channel, rede gigabit e suporte a bus de 1066 MHz, um conjunto de recursos bastante avançado para a época.

 

Ao contrário da versão para processadores AMD, ele seguia a divisão clássica em ponte norte (chamada pela nVidia de SPP) e ponte sul (MCP), onde os dois chips eram interligados através de um link HyperTransport. O MCP incluía um total de 20 linhas PCI-Express, o que permitia a criação de placas com dois slots com 8 linhas, para a conexão das duas placas de vídeo em SLI e a criação de mais três slots PCIe 1x.

 

Aqui temos o diagrama de blocos do chipset. Veja que, ao contrário da maioria dos chipsets, todas as linhas PCI Express são concentradas no SPP, incluindo as três linhas reservadas para os slots 1x:

Diagrama de blocos do nForce4 SLI Intel Edition

 

Diferente dos chipsets Intel, onde a interface de rede gigabit é fornecida na forma de um chip externo (o que faz com que muitos fabricantes optem por substituí-lo por um chip mais barato, como os da Realtek e Marvell), nos chipsets da nVidia a interface de rede é integrada ao MCP e ligada diretamente ao barramento HyperTransport.

 

Como em outros chipsets da nVidia, ele incluía também o ActiveArmor, um aplicativo de firewall, que trabalha em conjunto com o driver e um sistema de inspeção de pacotes incluído no próprio chipset de rede. Em teoria, ele é um pouco mais seguro que firewalls for Windows que trabalham apenas na camada de software (Norton, ZoneAlarm e outros). Ele não é usado no Linux, pois o sistema já inclui um firewall próprio, o IPtables.

 

O nForce4 foi posteriormente atualizado, dando origem ao nForce4 SLI X16, esta versão incluía nada menos que 40 linhas PCI Express, permitindo a criação de dois slots PCI Express 16x "reais", ao invés de dois slots com 8 linhas cada como na versão anterior. Mas, apesar de interessante do ponto de vista técnico, o uso de 16 linhas para cada placa ao invés de 8 não resultava em ganhos significativos de desempenho, já que (ao contrário de muitas placas atuais) as placas 3D da época não chegavam a saturar o barramento, mesmo a 8x.

 

Apesar de ser superior aos chipsets i915 e i925, que eram seus concorrentes diretos, o nForce4 acabou sendo usado em um número relativamente pequeno de placas, pois era um chipset caro e novo no mercado.

 

No início de 2006 a nVidia atualizou a linha, lançando o 570 SLI. Pouco depois, em julho de 2006, lançou o 590 SLI, que acabou sendo vendido em quantidades limitadas.

 

O 570 SLI é a versão "mainstream" que, assim como o nForce4 SLI, inclui 20 linhas PCI Express, que permitem o uso de um único slot 16x e mais 4 slots 1x, ou 2 slots 8x para instalação de duas placas em SLI e mais 3 slots 1x. No caso das placas com dois slots, o chaveamento passou a ser feito automaticamente, via software, de forma que ao instalar uma única placa 3D, o BIOS da placa mãe reserva as 16 linhas para ela e, ao instalar duas, cada uma fica com 8 linhas.

 

O 570 SLI mantém o suporte a memórias DDR2 em dual-channel, as 4 interfaces SATA 300, suporte a RAID e a interface Gigabit Ethernet.

 

O 590 SLI, por sua vez, é uma versão sensivelmente aprimorada, que inclui nada menos que 48 linhas PCI Express. Ele permite a criação de placas com três slots para a conexão de placas de vídeo (dois deles com 16 linhas e o terceiro com 8 linhas), onde os dois primeiros permitem a conexão de duas placas em SLI e o terceiro permite a conexão de uma physics accelerator (uma placa ainda bastante incomum que executa cálculos avançados relacionados à composição das cenas, permitindo melhorar o realismo dos games), ou de uma placa de vídeo terciária, para o uso de monitores adicionais (é possível usar até 6 monitores, 2 em cada placa!). Sobram ainda mais 8 linhas, que podem ser usadas por slots 1x ou 4x.

Configuração com 3 placas de vídeo (duas em SLI) e seis monitores

 

O 590 SLI inclui ainda 6 interfaces SATA 300 com suporte a RAID e duas placas de rede gigabit.

 

Além de usar as duas interfaces para compartilhar a conexão, existe ainda a possibilidade de combinar as duas interfaces, criando uma única interface lógica de 2 gigabits usando o DualNet, mais um software fornecido como parte do coquetel de drivers e utilitários. Neste caso, você usa dois cabos de rede e duas portas no switch, mas as duas placas se comportam como se fossem uma, compartilhando o mesmo endereço IP. No Linux você utilizaria o módulo "bonding" do Kernel para obter o mesmo efeito (neste caso usando placas de qualquer fabricante). Este truque de unir duas placas de rede é muito usado em servidores de arquivos, de forma a aumentar a banda de rede do servidor.

 

Como o 590 SLI é um chipset muito caro, destinado a PCs de alto desempenho, o suporte às interfaces IDE não é mais uma prioridade, por isso uma das interfaces foi sacrificada, restando apenas uma, destinada à conexão do drive óptico.

 

Toda a série nForce inclui um chipset de som onboard. O nForce4 SLI utiliza um chipset padrão AC97, enquanto o nForce5 (e o nForce6) utilizam o Azalia, um chipset HDA, de alta definição.

 

Finalmente, temos a série nForce 600, lançada no final de 2006. Ela é composta pelos chipsets 650i Ultra, 650i SLI e 680i SLI. Todos os chipsets desta série suportam oficialmente bus de 1333 MHz e memórias DDR2-800, mas se diferenciam pela quantidade de linhas PCI Express, suporte a SLI, número de portas SATA e a presença de uma ou duas interfaces de rede.

 

Note que os chipsets da série nForce são destinados ao público entusiasta e por isso suportam grandes overclocks, por isso nada impede que você faça overclock, aumentando a frequência do FSB para 1333 mesmo em um nForce 590. Os próprios fabricantes de placas costumam se adiantar, incluindo suporte a novos padrões de memória que não são oficialmente suportados pelo chipset. Não é incomum ver placas com o nForce 590 que suportam memórias DDR2-800 ou até mesmo DDR2-1066; basta que o fabricante disponibilize a configuração dos multiplicadores no Setup. O suporte oficial por parte do chipset é apenas uma garantia de estabilidade.

 

Ajuste da frequência da memória através do setup

 

O 650i Ultra é a versão mais simples, que não inclui suporte a SLI. Ele inclui 18 linhas PCI Express, que permitem adicionar um slot 16x e mais dois slots 1x. Apesar de parecer pouco, esta é justamente a configuração mais comum entre os fabricantes de placas, que preferem incluir apenas dois slots PCIe 1x, reservando o restante do espaço disponível para slots PCI. O 650i Ultra inclui ainda as 4 portas SATA 300 com suporte a RAID e rede gigabit.

 

Em seguida temos o 650i SLI, que é idêntico ao 650i Ultra, incluindo inclusive o mesmo número de linhas PCI Express. A única diferença entre os dois é que, como o nome sugere, o 650i SLI suporta o uso de dois slots e duas placas SLI em modo 8x. Para cortar custos, a nVidia optou por utilizar o chip MCP51 como ponte sul, uma versão mais antiga que o MCP utilizado no 590 SLI. Apesar de mais antigo, ele traz como vantagem a presença de duas interfaces IDE (junto com as 4 portas SATA), ao invés de apenas um. Isto acaba tornando o 650i SLI uma opção mais interessante para quem pretende continuar utilizando HDs IDE de upgrades anteriores.

 

Muitas das placas baseadas no 650i SLI incluem rotinas automatizadas no BIOS para dividir as linhas PCI Express entre os dois slots, de acordo com a presença ou não se uma segunda placa, mas muitas voltaram a utilizar o SLI Selector, um componente usado desde o nForce4 SLI, onde uma placa seletora presente entre os dois slots PCIe é usada para indicar se a placa deve operar em modo dual x8 (com duas placas em SLI) ou x16, com apenas uma placa 3D instalada:

SLI Selector

 

Algumas placas, como a ECS NF650iSLIT-A não possuem a placa seletora nem as rotinas do BIOS. Elas simplesmente trabalham em modo dual x8 o tempo todo, o que prejudica o desempenho ao utilizar uma única placa.

 

O 650i SLI é seguido pelo 680i SLI, que é a versão mais parruda, com suporte a SLI em modo 16x e mais um terceiro slot, operando em modo 8x (assim como no 590 SLI). Como um bonus, ele inclui 6 portas SATA e duas interfaces de rede. Esta é também a versão mais cara. Na época de lançamento, apenas o chipset custava (para os fabricantes de placas) nada menos que US$ 120, o que fez com que toda a safra inicial de placas custasse (nos EUA) acima de 300 dólares, ultrapassando facilmente a faixa dos 1000 reais aqui no Brasil. Para você ter uma idéia, a maioria dos chipsets da Intel custa, para os fabricantes, entre 40 e 60 dólares, enquanto os chipsets mais baratos da SiS chegam a custar menos de US$ 25.

 

Esta é uma Asus P5N32-E SLI, um exemplo de placa baseada no 680i SLI. Veja que ela possui três slots PCIe 16x, sendo que o terceiro possui apenas 8 linhas. As placas PCI-Express 1x e 4x são perfeitamente compatíveis com os slots 16x, de forma que ele pode ser usado para a conexão de placas PCIe em geral. A placa inclui apenas um slot PCIe 1x; o slot branco próximo do hot-pipe é para a conexão do riser do audio onboard.

Asus P5N32-E SLI, baseada no nForce 680i SLI

 

Assim como outras placas de alto desempenho atuais, ela utiliza um par de dissipadores e hot-pipes, que refrigeram tanto o chipset, quanto os reguladores de tensão, utilizando o fluxo de ar gerado pelo cooler do processador.

 

Muitos fabricantes estão passando a adotar o uso de exaustores, mas a idéia tem seus opositores, já que exaustores acumulam sujeira, passam a fazer barulho e eventualmente param de girar depois de alguns anos de uso, fazendo com que a placa passe a precisar de uma limpeza periódica.

 

Chipsets da SiS

 

 

Em seguida, temos os chipsets da SiS. Ela oferece os chipsets SiS 649, SiS 649FX, SiS 656, SiS 656FX e SiS 661FX, que são atualizações da linha anterior, destinada às placas soquete 478.

 

O SiS 661FX é o carro chefe, usado em diversos modelos de placas de baixo custo. Ele vem com vídeo onboard SiS Mirage e suporta até 3 GB de RAM. Ele ainda utiliza um slot AGP 8X, sem PCI Express, o que, ao invés de atrapalhar, acabou aumentando a sobrevida do chip, já que todos os outros fabricantes migraram rapidamente para o PCI-Express, criando uma demanda considerável por placas de baixo custo com slots AGP. O 661FX é o mesmo chipset que vimos na segunda parte do tutorial. Ele foi apenas atualizado para suportar processadores soquete 775.

 

Os chipsets SiS 649, SiS 649FX, SiS 656 e SiS 656FX são as versões sem vídeo onboard e com suporte a um slot PCI Express 16X. Os dois da série 649 suportam até 2 GB de RAM (single channel), enquanto os 656 suportam 4 GB, com dual channel. Os FX (649FX e 656FX) suportam bus de 1066 MHz, enquanto os outros dois suportam apenas 800 MHz.

 

Os chipsets da linha FX suportam (649FX, 656FX e 661FX) suportam bus de 1066 MHz, enquanto os demais suportam apenas 800 MHz.

 

Além do suporte a PCI Express, este 4 chipsets utilizam os chips SiS965 e SiS966 (o fabricante da placa escolhe qual usar) como ponte sul, enquanto o 661FX (que apesar da numeração, é mais antigo que eles) utiliza o SiS964. Os dois novos chips incluem 4 interfaces SATA, além de suporte a RAID e interface Gigabit Ethernet (opcionais). Ao contrário dos chipsets intel, eles mantém o suporte nativo a portas IDE, o que representa uma pequena economia de custos para os fabricantes de placas, que não precisam usar um controlador adicional.

 

Mais recentemente, a SiS lançou o SiS 671FX, uma versão atualizada do 661FX, que inclui suporte a bus de 1066 MHz, duas interfaces SATA 300 (com suporte a RAID 0 e 1), uma atualização no vídeo integrado (passou a ser usado o chipset SiS Chrome9) e um chipset de rede gigabit. Ele inclui também suporte a módulos DDR2 de 2 GB (o 661FX suportava módulos de 1 GB), até um máximo de 4 GB.

 

O AGP foi também substituído por um total de 20 linhas PCI Express: 16 na ponte norte, que permitem a criação de um slot 16x e mais 4 na ponte sul, usadas para a conexão do chipset de rede e por até 3 slots 1x.

 

Um exemplo de placa de baixo custo baseada no 671FX é a Asus P5S-MX SE. Por ser uma placa micro-ATX, ela inclui apenas 4 slots, sendo um slot PCIe 16x, 2 slots PCI e apenas 1 slot PCIe 1x. Como outras placas baseadas no chipset, ela inclui apenas dois encaixes para pentes de memória e suporta apenas módulos DDR2. O suporte a módulos de 2 GB incluído no chipset vem a calhar, pois ele permite que sejam usados dois módulos de 2 GB, totalizando 4 GB mesmo com apenas dois módulos. Além do kit tudo-onboard (video, som, rede, etc.), ela inclui as duas portas SATA e uma porta IDE. Veja que a bendita porta para o drive de disquetes continua presente (ao lado do segundo slot PCI), sobrevivendo à passagem do tempo:

Asus P5S-MX SE, baseada no SiS 671FX

 

Chipsets da VIA

 

 

Devido aos problemas legais com relação ao uso do barramento do Pentium 4, a VIA perdeu uma boa parte da participação que tinha dentro do mercado de placas para processadores Intel. Apesar disso, ela vem lentamente se recuperando agora que a questão legal está bem resolvida.

 

Os primeiros chipsets da VIA para placas soquete 775 foram uma versão adaptada do VIA P4M800 e o VIA P4M800 Pro. Estes dois chipsets foram logo substituídos, pois não oferecem suporte a memórias DDR2 nem a PCI-Express.

 

Surgiram então os chipsets VIA PT890, VIA P4M890 e VIA P4M900, que representam a safra mais atual. Os 4 oferecem suporte a PCI-Express, memórias DDR2 (mantendo suporte a memórias DDR), até um máximo de 4 GB e oferecem suporte aos processadores Core 2 Duo com bus de 1066 MHz.

 

Tanto o P4M890, quanto o VIA P4M900 incluem vídeo onboard. A principal diferença entre eles é que o P4M890 inclui um chipset VIA UniChrome Pro, enquanto o P4M900 inclui um chipset VIA Chrome 9, uma versão sensivelmente aperfeiçoada. O P4M900 inclui ainda interfaces SATA 300 (os demais ainda utilizam interfaces SATA 150), com suporte a RAID.

 

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