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Review: Splinter Cell: Blacklist mistura ação com um combate inteligente


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Enquanto estava agachado atrás de um caixote, via um guarda armado com um rifle de assalto se aproximando. Esperava pacientemente pela sua aproximação. Na hora certa, um golpe certeiro o nocauteia, sem matá-lo. Contudo, neste movimento, outro segurança aproveitou para notar a presença do agressor.

 

Correu com sua metralhadora em mãos, disparando contra o local onde há poucos instantes viu seu colega ser derrubado. Mas não encontrou nada. Acabou sendo surpreendido por um disparo de uma arma paralisante, vindo de cima, do homem que procurava até segundos atrás.

 

Pouco tempo depois, um pequeno drone começa a circular pelo recinto, praticamente indetectável. De tamanho reduzido, mas extremamente eficiente, ele percorre longas distâncias, paralisando os inimigos que encontra pelo caminho, abrindo espaço para o espião Sam Fisher, e seu retorno triunfal aos jogos em Splinter Cell: Blacklist.

 

A cena relatada nos parágrafos acima é apenas uma das alternativas de desenvolvimento de uma missão neste novo capítulo de um dos mais famosos e populares do gênero “stealth”. Para quem não conhece, o estilo é marcado por privilegiar a estratégia de infiltração sem ser notado pelos inimigos, em vez de sair atirando de peito aberto no estilo Rambo.

 

Neste novo capítulo da série, o jogador novamente é colocado na pele de Sam Fisher, que precisa trabalhar com uma equipe para deter um grupo terrorista que se denomina “Os Engenheiros”. Eles tramam vários ataques coordenados contra os Estados Unidos, que têm como meta obrigar o governo do país a retirar as tropas dos locais onde há ocupações militares. Os ataques receberam a alcunha de “Blacklist”, ou “Lista Negra”, em bom português.

 

Não deixe a trama de um episódio da série “24 Horas” te enganar. Embora esteja longe de ser a história mais profunda no mundo dos videogames, mas serve como uma motivação básica para você seguir em frente com suas missões e desenvolver sua relação com outros integrantes da nave Paladin, no melhor estilo Mass Effect, mas sem o mesmo carisma dos coadjuvantes.

 

Outro problema da história é que ela tenta transmitir muita urgência, quando os ataques não são tão urgentes assim. Você pode realizar tarefas paralelas à vontade entre as missões da história principal sem afetar em nada o desenvolvimento do jogo. Ou seja: os terroristas vão atacar dentro de duas horas, mas antes eu posso realizar três ou quatro side-quests, sem que essas "duas horas" se passem.

 

O mais bacana em “Blacklist” é realmente sua jogabilidade. Poucos são os games que dão tanta liberdade para o jogador resolva seus problemas da forma que preferir. Os desenvolvedores privilegiam táticas furtivas, que rendem uma pontuação melhor. Desta forma, se você conseguir passar pela fase sem ser detectado e usando apenas força não-letal para derrubar inimigos apenas quando for obrigado, sua pontuação será maior.

 

O game, no entanto, permite todos os tipos de abordagens. Agindo da maneira sugerida, você ganhará pontos por jogar no estilo “Fantasma”. Se preferir agir de forma letal, mas ainda se mantendo escondido, ganhará pontos como “Pantera”. Caso queira deixar a parte “stealth” do jogo de lado e atirar de peito aberto, você também será bem-vindo, arrecadando pontuação como “Assalto”. Pode-se dizer que Blacklist é bem democrático neste sentido, acolhendo todos os tipos de jogadores.

 

 

Durante meu gameplay, optei por nunca matar ninguém, a menos que fosse realmente obrigado pelas circunstâncias do jogo. Usava apenas força não-letal, como armas de choque e combate corpo para nocautear os inimigos e, mesmo assim, evitando ao máximo o confronto. Isso tornou o jogo incrivelmente complexo, mas ao mesmo tempo mais estratégico e recompensador. Há algo de especial em conseguir entrar e sair de um lugar sem ninguém perceber a sua presença. Para isso, o game também incentiva a descoberta de novas rotas, como tubos de ventilação e o deslocamento pela fase por meios alternativos, como escalando paredes e canos.

 

Os gadgets são uma marca registrada de Splinter Cell e neste novo capítulo eles seguem tendo um papel indispensável na jogabilidade. Você pode usar o drone trirrotor citado anteriormente para vasculhar o terreno e nocautear inimigos com sua arma paralisante, gás do sono, adesivos que emitem pulsos eletromagnéticos para apagar as luzes, e até mesmo as barulhentas granadas de fragmentação, entre vários outras alternativas. A escolha é sua para encontrar as ferramentas que complementam seu estilo de jogo.

 

Quem jogou o Conviction irá se lembrar do recurso “Mark & Execute”, que permitia a Fisher marcar vários alvos e executá-los imediatamente. Ele está de volta, mas modificado. Após reclamações de que ele dava “superpoderes” ao protagonistas, privilegiando a ação em vez do realismo, a Ubisoft decidiu restringir o recurso, que agora só pode ser usado quando os inimigos estiverem perto do personagem. A mudança deu certo e torna o gameplay mais divertido, sem transformar Sam Fisher em um James Bond, que mata vários inimigos ao mesmo tempo sem sujar seu smoking.

 

Outra coisa interessante é que durante o jogo está sempre renovando as mecânicas, de forma a não se tornar repetitivo. Em algum momento, você deverá eliminar inimigos de um avião, utilizando uma câmera aérea. Em outro instante do jogo, o jogador deverá se adaptar a um gameplay de tiro em primeira pessoa.

 

Uma crítica, no entanto, deve ser feita à inteligência artificial, que às vezes não é tão inteligente assim. Por exemplo: ao visualizar o seu drone, o soldado irá atirar para derrubá-lo e, caso você consiga recuperá-lo antes de o aparelho ser abatido, o inimigo continuará atirando eternamente para aquele ponto onde ele viu o seu trirrotor, mesmo ele não estando mais lá. Fora este problema, bastante recorrente, são raras as vezes em que é possível perceber uma "burrice" artificial.

 

Em relação aos gráficos, não há reclamações, mas apenas uma observação. Os consoles da geração atual realmente estão no limite de sua potência; basta ver a diferença de qualidade entre as versões de PC e as lançadas para o Xbox 360 e PS3. Nos consoles, é fácil perceber que os esforços foram voltados a criar um Sam Fisher realista, com o máximo de detalhes possíveis, enquanto outros personagens não tiveram o mesmo cuidado gráfico. Mesmo assim, é impossível se sentir de fato incomodado com isso.

 

Vale lembrar que o jogo também inclui modos multiplayer cooperativos e competitivos, que devem estender a experiência de jogo e acrescentar uma nova camada de diversão no game. Algumas missões possuem rotas que só podem ser trilhadas quando o trabalho é realizado em grupo por dois jogadores, então é sempre interessante voltar a uma fase já completada para estudar novos caminhos e ver como as coisas se desenrolam.

 

Conclusão

Liberdade e estratégia de combate estão no cerne do que é Splinter Cell: Blacklist. Se você procura um jogo de ação desenfreada, esta não é a melhor pedida, embora o game aceite todos os jogadores de braços abertos. Você pode se sentir um pouco fora de lugar, no entanto, já que Sam Fisher não é um superguerreiro. Ele é um estrategista, especialista na infiltração na surdina, frágil no combate armado, mas letal quando passa sem ser percebido pelos inimigos. Já quem procura um game que exige raciocínio rápido e, sim, paciência, estará em casa.

 

Nota: 9

 

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