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Fabricante do BlackBerry enfrenta desconfiança do mercado, principalmente após as sucessivas falhas em seu serviço. Novos smartphones são esperados.

 

Será que a Research In Motion (RIM) finalmente deixará claro quais são os planos para sua próxima geração de dispositivos? Essa é a principal dúvida dos especialistas, que deverão seguir com atenção o BlackBerry DevCon Americas, evento marcado pela companhia a ser realizado nesta terça-feira (18/10), em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos.

 

A RIM enfrenta forte pressão devido às sucessivas falhas ocorridas nos últimos meses em seu serviço. Na semana passada, o CEO Mike Lazaridis admitiu que não sabia ao certo o que causara o maior pane da história da empresa. Milhões de usuários de dezenas de países – inclusive o Brasil - ficaram sem os recursos de Internet e de mensagens instantâneas por dias por causa dos problemas enfrentados.

 

Para compensar o transtorno causado, a RIM está oferecendo aos clientes 100 dólares em aplicativos, a serem baixado na BlackBerry App World, e, ao mercado corporativo um mês de suporte técnico gratuito. Não está claro se isso será o bastante para atenuar a insatisfação dos usuários, sem contar que o incidente invalida uma das maiores vantagens que a RIM diz ter frente a seus concorrentes: um sistema confiável, acima de qualquer suspeita.

 

No entanto, a pane é só mais um dos muitos problemas que a RIM tem pela frente. O BlackBerry tem perdido popularidade na América do Norte, o tablet PlayBook falhou e nem se aproximou do desempenho do iPad, e um grupo influente de acionistas tem defendido uma reviravolta nos rumos da empresa.

 

Nova geração e aplicativos

O futuro da RIM parece depender de uma nova geração de smartphones – rodando um reformulado BlackBerry OS – cujo lançamento é esperado para os próximos meses. Os dispositivos deverão ter como base o software QNX, tal qual o PlayBook, e contar com uma interface desenhada pela Astonishing Tribe, companhia sueca adquirida recentemente.

 

Uma grande questão é se o BlackBerry sucumbirá ao sucesso das telas sensíveis ao toque ou continuará com teclado físico. Este, provavelmente, será mantido em alguns aparelhos – já que agrada muitos executivos – mas os usuários domésticos já deixaram claro que as telas sensíveis – usadas no iPhone e pelo Android – são o futuro.

 

Atualmente, o BlackBerry possui 18% do mercado americano – ante 26% do fim de 2010 – enquanto que o iPhone tem 26% e o Android, 40%.

 

Aplicativos

Além dos smartphones, outro ponto importante é quanto à quantidade de aplicativos oferecida pela RIM. É possível que ela passe a aceitar programas criados por terceiros, de modo que possa competir com a variedade provida pelas rivais. A expectativa é que desenvolvedores sejam convencidos a adaptarem seus softwares para o PlayBook e, em seguida, possivelmente para a linha BlackBerry.

 

Para acelerar a medida, a empresa terá um estande próprio na DevCon, onde representantes ajudarão desenvolvedores a adaptarem programas e submetê-los à App World. Além disso, ela tem presenteado os presentes em suas conferências com PlayBooks, estratégia costumeiramente utilizada pela Google em seus eventos para o Android.

 

Enquanto o iPad e tablets com Android já tiveram milhões de unidades comercializadas, o PlayBook só teve 700 mil distribuídas nos últimos dois trimestres. Aparentemente, o aparelho não foi tão bem recebido quanto o dispositivo da Apple e, em menor medida, quanto os que rodam Android 3.0 (Honeycomb).

(Ian Paul)

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